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O VAR cortou o Pé de Feijão do João (a crónica do Famalicão-Sporting)

Sporting dominou de fio a pavio, falhou um penálti, desperdiçou várias chances para matar o jogo e acabou "morto" com um empate em Famalicão entre muitos protestos pelo golo anulado a Coates (2-2).

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João Palhinha voltou a ser um dos principais elementos do Sporting mas não evitou o primeiro empate fora dos leões no Campeonato

Getty Images

João Palhinha voltou a ser um dos principais elementos do Sporting mas não evitou o primeiro empate fora dos leões no Campeonato

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A vitória do Sporting frente ao Moreirense em Alvalade não só reforçou a liderança dos leões no Campeonato como permitiu chegar aos 22 pontos em 24 possíveis e com 21 golos marcados, números que são recorde este século e que dão uma redobrada ambição numa temporada de transição com Rúben Amorim no comando desde início. Numa expressão tantas vezes utilizadas no léxico futebolês, o conjunto verde e branco voltou a contar para o Totobola. E isso fez também com que as arbitragens nos seus jogos se tornassem mais dissecadas, com o FC Porto a criticar no início da semana pelo seu diretor de comunicação a irregularidade no primeiro dos dois golos de Pedro Gonçalves frente aos cónegos, algo que não acontecia nas últimas épocas por estar longe dos lugares cimeiros mas que foi relativizado pelo técnico, que sempre viu uma equipa “focada apenas nos seus jogos e nada mais”.

Sporting empata em Famalicão com final de loucos, duas expulsões e um golo anulado a Coates

“Vamos continuar a fazê-lo, a não ligar ao que vem de outros lados. Só vemos verde. Mas em relação a isso não posso de deixar de dizer que isso faz parte. São as dores de crescimento. Se no último jogo com o Moreirense falei de dores de crescimento, isso também faz parte. Quanto mais o Sporting crescer, mais problemas desses vamos ter. Estamos preparados para isso enquanto equipa técnica e estrutura. Já temos algum conhecimento do que irá acontecer no futuro. É bom sinal e há que continuar mas para isso é preciso manter o foco no que realmente interessa, que é vencer o Famalicão. Todos os jogos para nós são muito difíceis e vamos lutar para ganhar”, disse a esse propósito Rúben Amorim. Mas essas estão longe de ser as únicas dores de crescimento numa equipa que tem mais dificuldades por ser mais estudada e que mantém lacunas no plantel como na posição de 9.

“Foi muito falado numa fase em que ele não jogava. Apostávamos na altura no Jovane mas não é por ele não marcar que o vamos tirar. O Sporar está a trabalhar muito para a equipa. E temos de ver a ligação que eles, o Nuno Santos, o Pote e o Sporar, têm: se não marca um, marca o outro. É sinal de uma boa ligação porque interessa é a equipa marcar. Chateado está ele, eu estou muito feliz. Há que dar tempo. Quando alguém tiver de sair da equipa será porque entendemos que não está a ser a melhor ajuda e que tem de entrar outro. O Sporar está com muita fome e neste jogo será ele e mais dez”, lançou o técnico, defendendo o avançado esloveno apesar da série recente de jogos sem marcar dentro de uma dinâmica ofensiva que permite uma média de quase três golos por jogo.

Sobre o ataque, as dúvidas estavam desfeitas. Sobre a defesa, que o técnico não abordou apesar de não contar com o lesionado Nuno Mendes, as dúvidas nunca estão desfeitas. Sobre o meio-campo, e sobretudo desde a chegada de João Mário e a recuperação de Palhinha, as dúvidas não podem desfazer-se porque não existem. “O Palhinha é um jogador com características diferentes, o que é muito importante para a equipa. É muito forte fisicamente e tendo um meio campo tão ofensivo precisamos de ter um outro jogador com capacidade para recuperar bolas e com força física. É algo que nasceu com ele e é importante para nós. Palhinha e João Mário são a melhor dupla com o Daniel Bragança e o Matheus. Temos as duas melhores duplas de meio campo do Campeonato. Se eu jogava nesta equipa? Comigo como treinador não jogava, nem estava no plantel”, referiu entre risos.

Também frente ao Moreirense foi visível o melhor e o pior desse mesmo meio-campo: com João Mário um pouco abaixo do normal, a construção, as transições e a qualidade de posse ressentiram-se; com Palhinha ainda acima do normal, a recuperação, a segurança e o jogo sem bola melhoraram. Pedro Gonçalves pode ser a grande referência do Sporting até ao momento por chegar a dezembro como melhor marcador da equipa sendo um médio ofensivo, com uma média superior a um jogo. No entanto, e para contornar as graçolas do costume em relação ao Natal que também Rúben Amorim abordara antes do jogo, era por ali, pelo corredor central, que passava um dos testes mais complicados ao Sporting esta temporada na deslocação a Famalicão. “Essas coisas valem o que valem. Sabemos dessas brincadeiras mas o nosso foco é vencer todos os jogos até ao Natal. Depois, até à Páscoa. Depois vamos até ao próximo momento religioso. Esse é o nosso objetivo”, comentou. No final, o Sporting não foi além do empate num jogo em que foi sempre melhor e que terminou com muita polémica mas vai seguir na frente.

Aliás, esse final do encontro, com muita confusão em campo e na zona dos balneários, mostrou toda a frustração pelo resultado. Os leões entraram melhor, falharam um penálti, saíram na mesma para o intervalo em vantagem depois de um “frango” de Adán, esteve por variadas ocasiões perto do terceiro golo que mataria o encontro mas teve de recuar após a expulsão muito protestada de Pedro Gonçalves e até mesmo depois de sofrer o golo do 2-2 de livre direto viu um golo de Coates anulado por falta sobre Luiz Júnior. João Palhinha, que foi mais uma vez o melhor do conjunto verde e branco, criou o seu Pé de Feijão por onde o Sporting foi lá acima quase até à vitória mas que acabou por ser cortado num misto de ansiedade, precipitação e nervos à mistura.

Ficha de jogo

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Famalicão-Sporting, 2-2

9.ª jornada da Primeira Liga

Estádio Municipal de Famalicão

Árbitro: Luís Godinho (AF Évora)

Famalicão: Luiz Júnior; Edwin Herrera, Riccieli (Patrick William, 83′), Babic, Gil Dias; Jordão (Jhonata Robert, 83′), Gustavo Assunção, Pereyra (Neto, 60′); Rúben Lameiras (Iván Jaime, 60′), Valenzuela e Campana (Trotta, 60′)

Suplentes não utilizados: Zlobin, Morer, Trevisan e Jorge Ferreira

Treinador: João Pedro Sousa

Sporting: Adán; Luís Neto, Coates, Feddal; Porro, Palhinha, João Mário (Matheus Nunes, 82′), Antunes (Borja, 82′); Pedro Gonçalves, Nuno Santos (Bruno Tabata, 72′) e Sporar (Tiago Tomás, 63′)

Suplentes não utilizados: Luís Maximiano, Gonçalo Inácio, Eduardo Quaresma, Daniel Bragança e Pedro Marques

Treinador: Rúben Amorim

Golos: Pedro Gonçalves (37′), Gustavo Assunção (43′), Pedro Porro (45+3′) e Jhonata Robert (89′)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Campana (8′), Pedro Gonçalves (22′ e 80′), Pereyra (45+2′), Riccieli (45+5′), Nuno Santos (45+5′), Gustavo Assunção (68′), Babic (73′), Jhonata Robert (83′), Palhinha (87′) e Feddal (90+2′); cartão vermelho por acumulação a Pedro Gonçalves (80′) e direto a Rúben Amorim (90+2′)

O Famalicão ainda tentou nos minutos iniciais ser fiel aos seus princípios de jogo, com Babic a ter uma boa saída de trás com bola que criou algum desequilíbrio nos leões, mas cedo o Sporting assumiu o controlo do encontro com e sem posse, subindo as linhas de pressão com os três avançados e os dois médios para a zona da primeira fase de construção dos visitados e bloqueando por completo a saída do conjunto de João Pedro Sousa. Pedro Porro, com uma grande iniciativa pela direita, cruzou atrasado para o remate na atmosfera de Sporar (7′), antes da primeira grande ocasião num canto marcado por João Mário da direita onde Feddal desviou de cabeça pouco ao lado. Eram os leões que dominavam, eram os leões que iriam ficar a dever a si próprios a vantagem: depois de ter ganho uma grande penalidade por falta de Riccieli, o extremo permitiu a defesa a Luiz Júnior e, no seguimento do lance, Pedro Gonçalves ficou a pedir novo penálti tendo visto o amarelo por simulação de Luís Godinho (22′).

[Clique nas imagens para ver os melhores momentos do Famalicão-Sporting em vídeo]

O lance acabou por ser um balde de água fria na produção ofensiva dos leões, que demoraram alguns minutos a voltarem ao estado anímico normal, mas coube a Palhinha dar um pontapé nessa monotonia com um remate de meia distância para nova intervenção de Luiz Júnior (32′). Os índices de confiança estavam repostos, o mote para 15 minutos finais a todo o gás tinha sido deixado: Pedro Gonçalves inaugurou o marcador num fantástico golo onde tirou dois adversários do caminho antes do remate de pé esquerdo ao ângulo inferior do poste mais distante (37′), Gustavo Assunção aproveitou um erro quase de amador de Adán que calculou mal a saída da baliza após livre lateral e permitiu que o filho do antigo médio Paulo Assunção encostasse de cabeça ao segundo poste para o 1-1 (43′) e Pedro Porro, já no período de compensação da primeira, conseguiu o melhor golo da noite com um remate imparável ao ângulo da baliza do Famalicão num livre descaído sobre a esquerda do ataque (45+3′).

Luís Godinho apitou para o descanso, os ânimos aqueceram com alguns empurrões entre jogadores, a custo todos foram para os balneários mas se o Sporting continuou ligado à ficha, o Famalicão entrou ainda mais desligado do encontro, valendo-lhe mais uma vez a boa prestação de Luiz Júnior: Pedro Gonçalves, a ganhar espaço pelo lado esquerdo já na área, arriscou o remate de ângulo impossível para defesa do brasileiro para canto (48′) antes de João Palhinha tentar de novo a meia distância para nova intervenção do guarda-redes visitado (54′). A equipa de João Pedro Sousa não só tinha dificuldades em travar a mobilidade das unidades mais ofensivas dos leões como perdera a pouca capacidade que conseguira para arriscar transições, o que levou o técnico a uma tripla alteração para tentar mexer com a dinâmica da equipa lançando Iván Campo, Neto e Trotta em campo.

Rúben Amorim trocou também Sporar por Tiago Tomás, colocou Bruno Tabata no lugar de Nuno Santos e seria o brasileiro a criar mais uma boa oportunidade para os leões, com um cruzamento atrasado para João Mário rematar muito por cima sozinho à entrada da área (75′) já depois de um cabeceamento de Coates na sequência de um livre que rasou o poste da baliza de Luiz Júnior. Dificilmente o Famalicão conseguiria encontrar espaços e movimentos para chegar à baliza de Adán perante do domínio do Sporting, algo que se alterou na sequência da expulsão de Pedro Gonçalves por acumulação de amarelos, em mais um lance que deixou o banco verde e branco à beira de um ataque de nervos como já tinha acontecido no primeiro cartão ao médio ofensivo. E o final seria ainda mais de loucos: Jhonata Robert empatou de livre direto (89′), Coates foi enviado para a frente, na bola de reposição o uruguaio marcou de cabeça, o golo foi invalidado após indicação do VAR e Rúben Amorim acabou expulso, com o contacto do braço esquerdo do central sobre o guarda-redes Luiz Júnior a ser considerado como falta.

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