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Detidos numa cadeia de alta segurança. Presos numa vivenda. E, desde o passado sábado, desaparecidos. Esta tem sido a vida de Salman bin Abdulaziz e do pai, irmão do Rei da Arábia Saudita, desde janeiro de 2018. Agora, “ninguém sabe para onde foram levados”, disse uma fonte próxima da família real à AFP.

Existem suspeitas de que Mohammed bin Salman, primeiro na linha da sucessão ao trono saudita, terá sido o autor do desaparecimento e das purgas de que a família real saudita tem sido alvo. O também vice primeiro-ministro da Arábia Saudita está a preparar-se para assumir o poder quando o pai morrer e alegadamente quer eliminar qualquer oposição ou rivais políticos, destaca a AFP.

E Salman bin Abdulaziz é tido como um possível opositor. O sobrinho do Rei da Arábia Saudita (com quem partilha o nome) estudou Direito Internacional na Universidade de Oxford e na Universidade de Sorbonne, em Paris. Antes de ser preso em 2018, dedicava-se ao ramo imobiliário e mantinha boas relações com políticos franceses, estando mesmo presente num encontro franco-saudita em 2013, conta o El Mundo. Também não tinha medo de se opor a algumas decisões tomadas pela família real — contestou, por exemplo, o facto de ter sido obrigado a pagar a conta da eletricidade.

Foi detido dias depois. Em janeiro de 2018, Salman bin Abdulaziz e o pai estiveram presos durante um ano numa cadeia de alta segurança em Al-Hair, na capital saudita. Depois foram enviados para uma moradia em Riade, onde estiveram até sábado em prisão domiciliária. O seu paradeiro é, agora, desconhecido.

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“É claro que a sua atual privação de liberdade é arbitrária e equivale a uma violação das obrigações sauditas e das obrigações internacionais”, pode ler-se numa carta enviada pelo eurodeputado belga Marc Tarabella ao embaixador saudita da União Europeia, tendo denunciado o desaparecimento de Salman bin Abdulaziz.

O caso também já chegou a outras autoridades internacionais. Em maio deste ano, Salman bin Abdulaziz entrou em contacto com alguns funcionários da administração de Donald Trump para a sua libertação — mas não teve qualquer efeito.

O eurodeputado exige agora “ao governo saudita que divulgue imediatamente o paradeiro” de Salman bin Abdulaziz — mas até agora ainda o príncipe e o pai continuam desaparecidos.