As imagens da invasão do Capitólio, que correram mundo esta quarta-feira, estão a fazer as delícias dos regimes que, de uma forma ou de outra, são vistos como concorrentes dos EUA. Numa declaração transmitida pela televisão, o líder do Irão disse que os incidentes são fruto da “democracia ocidental frágil” e na China um tabloide detido pelo estado chinês fala numa “bonita paisagem”, comparando a manifestação aos protestos em Hong Kong. A Rússia e a Venezuela também reagiram.

“O que vimos acontecer, na noite de ontem, nos EUA mostra, acima de tudo, quão frágil e vulnerável a democracia ocidental é – é um falhanço”, afirmou Hassan Rouhani, o mais vocal e assumido inimigo geopolítico dos EUA.

Já na China, através do Twitter, o jornal Global Times foi menos direto – preferindo uma abordagem sarcástica e apontando para o que a publicação considera ser um cenário irónico. “A líder da Câmara dos Representantes Nancy Pelosi um dia referiu-se aos protestos em Hong Kong como uma ‘linda visão’ – será que também diz o mesmo acerca dos acontecimentos em Capitol Hill?”, questionava o jornal chinês (dependente do estado) justapondo imagens dos dois acontecimentos.

Mais tarde, porém, o mesmo jornal fez um novo tweet onde salienta que um porta-voz do governo chinês fez saber que é “desejo” dos responsáveis políticos chineses que os “americanos possam viver com paz, estabilidade e segurança”. Ainda assim, esse mesmo responsável salientava que as pessoas deviam “refletir” sobre a diferença de tratamento (mediático, mas não só) que foi dada aos dois acontecimentos.

As reações internacionais não se ficaram por aqui, porém. Também através de um órgão de comunicação estatal, o RT, na Rússia foi publicado um artigo editorial onde se sugere que os acontecimentos em Washington eram, no fundo, algo que já se adivinhava e que as autoridades norte-americanas são, elas próprias, as culpadas pelo que estava a acontecer.

“Estão a ver o que fizeram? Estamos a ver os EUA a receberem o tipo de ‘democracia’ que gostam de propagandear no exterior”. Em concreto, esse editorial acusava os EUA de terem “denunciado como ilegítimas as eleições na Bielorrússia e na Venezuela”.

Ora, da Venezuela também veio uma reação, que o regime quis transmitir como uma chapada de luva branca. O ministro dos Negócios Estrangeiros venezuelano, Jorge Arreaza, expressou “preocupação” com os “atos de violência” vistos em Washington – mas continuou: “neste episódio lamentável, os EUA mostram sofrer dos mesmos problemas que provocaram noutros países, através das suas políticas de agressão”.