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Os últimos dias funcionaram como exemplo paradigmático de como a Covid-19 pode entrar até nas “bolhas” mais protegidas como as equipas de futebol profissional. Aliás, os próprios têm consciência do que pode significar um só teste positivo para o resto do grupo. E foi isso que se confirmou nos casos do FC Porto e do Sporting, que se vão defrontar na próxima terça-feira na primeira meia-final da Taça da Liga com nove ausentes por este motivo.

Três em Alvalade, mais três no Dragão: Sérgio Oliveira, Luis Díaz e Evanilson testam positivo e falham clássico da Taça da Liga

No lado dos leões, que ao todo já tiveram 13 jogadores infetados com a maioria a surgir no surto que apareceu em setembro na antecâmara dos jogos oficiais (de tal forma que, mesmo quando a equipa deixou Alcochete para ir estagiar para o Algarve devidamente testada ainda foi detetado mais um caso), os sinais de intranquilidade foram surgindo quando se confirmaram os testes positivos do adjunto Carlos Fernandes, do preparador Gonçalo Álvaro e do técnico de equipamentos Paulo Gama (Paulinho). Com receio de que pudessem existir mais casos, o clube começou a testar todos os elementos da sua “bolha” numa cadência diária, tendo encontrado na quarta-feira mais três casos depois de todos terem dado negativo na véspera: Luís Neto, Nuno Mendes e Sporar.

Confirmaram-se os piores receios: Sporting com mais três jogadores infetados com Covid-19 que falham clássico com FC Porto

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Entre os dragões, houve quase duas “vagas” noutras tantas semanas: no início de janeiro, e depois do positivo de Cláudio Ramos, seguiram-se Wilson Manafá, Fábio Vieira, Carraça e Francisco Meixedo antes do jogo com o Famalicão, não houve mais nenhum caso até ao encontro com o Nacional da Taça de Portugal, surgiu Otávio na antecâmara do clássico do Benfica e, agora, nos testes realizados 48 horas antes do jogo da meia-final da Taça da Liga com o Sporting, surgiram mais três infetados: Sérgio Oliveira, Luis Díaz e Evanilson. Tudo em 13 dias, numa realidade que já era “temida” pela evolução da situação e que levou a cuidados redobrados nos últimos dias.

Ao todo, e olhando apenas para jogadores da equipa principal ou a trabalhar com a mesma, os três “grandes” já tiveram um total de pelo menos 36 infetados (número conhecido oficialmente em termos públicos, podendo haver mais que não tenham sido divulgados e/ou noticiados), sendo que mais de metade (19) foram detetados nos últimos 17 dias e com o Benfica a ser muito assolado com essa realidade, com sete casos positivos no plantel em dez dias, que começaram em Pizzi antes da Supertaça a 22 de dezembro e terminaram na dupla Gabriel e Cervi no segundo dia de 2021. O número aumenta se a isso juntarmos elementos da equipa técnica ou do staff: Rúben Amorim, o médico João Pedro Araújo, Carlos Fernandes, Gonçalo Álvaro e Paulinho no Sporting; Diamantino Figueiredo, treinador de guarda-redes, no FC Porto; e Tiago Pinto e mais três elementos recentes no Benfica, que tiveram resultados positivos no último teste antes do jogo no Dragão e que não acompanharam a equipa ao Norte.

Covid-19. Cervi e Gabriel elevam para seis os casos positivos no plantel do Benfica

O que mudou para esta subida a pique? Aparentemente, nada. Pelo menos dois dos clubes “grandes” em causa, sabe o Observador, já realizaram bem mais de 50 testes por pessoa desde junho só aos que pertencem ao círculo interno (jogadores, treinadores e elementos do staff que estão diariamente com a equipa), acrescentando ainda mais de uma dezena a quem não está todos os dias na “bolha” mas que, por razões profissionais, está mais próximo da equipa. E as medidas que existiam no regresso após o primeiro confinamento mantêm-se, com o pedido para que exista especial cuidado nos contactos sociais além das medidas que já vigoram para todo o país. Como se justificam os casos? Com as razões invocadas em setembro: ou em contactos familiares, incluindo filhos em idade escolar, ou contactos de risco em contexto social, o que pode depois gerar transmissão dentro da “bolha”.

Sporting (13 casos em jogadores)

  • Setembro (9): Borja, Rodrigo Fernandes, Nuno Santos, Renan, Gonçalo Inácio, Pedro Gonçalves, Luís Maximiano, Eduardo Quaresma e João Palhinha + Rúben Amorim (treinador principal) e João Pedro Araújo (líder do departamento médico)
  • Novembro (1): Gonzalo Plata
  • Janeiro (3): Luís Neto, Nuno Mendes e Sporar + Carlos Fernandes (treinador adjunto), Gonçalo Álvaro (preparador físico) e Paulinho (técnico de equipamentos)

Benfica (13 casos em jogadores)

  • Maio (1): David Tavares
  • Setembro (1): Svilar
  • Novembro (4): Weigl, Darwin Núñez, Taarabt e Daniel dos Anjos
  • Dezembro (5): Pizzi, Gonçalo Ramos, Jardel, Seferovic e João Ferreira + Tiago Pinto (então diretor geral do futebol)
  • Janeiro (2): Gabriel e Cervi + três elementos do staff ainda não conhecidos

FC Porto (10 casos jogadores)

  • Novembro (1): Loum + Diamantino Figueiredo (treinador de guarda-redes)
  • Janeiro (9): Cláudio Ramos, Wilson Manafá, Fábio Vieira, Carraça, Francisco Meixedo, Otávio, Sérgio Oliveira, Luis Díaz e Evanilson
  • Nota: alguma comunicação atribuiu um caso positivo na altura da retoma (maio/junho) ao FC Porto que nunca foi confirmado pelo clube