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Por um lado, a recuperação do momento de forma dos jogadores que contraíram Covid-19 entre o final do ano e o início de 2020. Por outro, e mais recentemente, as dez ausências entre jogadores infetados desde o passado fim de semana até este domingo, numa razia que afetou sobretudo a baliza e a defesa. Jorge Jesus assumira antes do jogo com o Nacional a impotência perante uma situação que nem ele nem ninguém consegue controlar e voltou a falar na mesma depois do empate com os insulares. No entanto, nem mesmo essas 11 baixas (André Almeida continua a recuperar de grave lesão) explicam na totalidade o que se passou. E isso fica evidente nos próprios números.

Seferovic, Jesus e as forças que se tornaram fraquezas por um ataque sem cabeça (a crónica do Benfica-Nacional)

Nas últimas quatro jornadas, o Benfica perdeu seis pontos contra Santa Clara, FC Porto e Nacional em empates a uma bola onde começou sempre na frente mas não conseguiu segurar a vantagem. E, em paralelo, somou o terceiro jogo consecutivo sem ganhar, se somarmos ao Dragão e ao Nacional para o Campeonato a derrota frente ao Sp. Braga na meia-final da Taça da Liga, podendo ficar agora a seis pontos da liderança caso o Sporting consiga vencer no Bessa. O ataque, esse, não ajudou em nada a contrariar esse cenário. E se Jesus falou de Darwin, dizendo que o uruguaio não “esteve” no jogo contra os insulares, Seferovic foi o melhor exemplo dessa desinspiração.

[Ouça aqui a análise do antigo árbitro Pedro Henriques no Sem Falta da Rádio Observador]

“Ficou por assinalar um penálti a favor do Benfica”

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Além de ter perdido a bola em bem mais das vezes em que esteve na sua posse (20), o suíço registou ainda cinco maus controlos de bola, acertou seis dos 19 passes tentados, não teve qualquer ação defensiva e não enquadrou nenhum dos quatro remates tentados, tendo falhado ainda a única oportunidade flagrante dos encarnados na segunda parte ao demorar demasiado tempo na pequena área após assistência de Taarabt. Uma noite para esquecer do suíço que outras vezes já vestiu a pele de herói mas que esta noite não conseguiu contrariar o jogo menos conseguido da equipa que ficou também marcado por um lance onde a bola bateu no braço de Nuno Borges na área do Nacional e que motivou muitos protestos por parte dos encarnados pelo penálti não assinalado.

“Já vi o lance e é nitidamente penálti. O jogador tira a bola com a mão. Não há nenhum penálti marcado a favor do Benfica no Campeonato, não temos nenhum. Mas não me quero desculpar com isso. Jogámos o suficiente para termos ganho, criámos oportunidades e não podíamos ter sofrido um golo como sofremos, referiu o treinador dos encarnados na zona de entrevistas rápidas da BTV após o empate frente aos madeirenses.

“Perdemos dois pontos. Nos primeiros 30 minutos estivemos bem, marcámos dois golos, um deles não contou. A equipa teve alguma qualidade durante o jogo. O Nacional foi uma equipa que rematou uma vez à baliza e marcou mas o futebol é isto. Estivemos perfeitos defensivamente, não deixámos o Nacional ter situações de golo, mas não matámos o jogo e o futebol é cruel. A inexperiência paga-se caro mas os jogadores tiveram compromisso, lutaram, correram, e fizeram tudo para ganhar. Não conseguimos e estamos tristes. O Nacional defendeu-se bem e os nossos avançados não conseguiram criar muito espaço. O Darwin hoje não esteve cá, anda com um problema e ressentiu-se durante a semana e hoje também. Fizemos o que podíamos, mexemos o que tínhamos de mexer, mas não deu para ganhar. E foi pena, depois de uma semana muito complicada, não termos saído daqui com a vitória. Isso ajudava ao que está a acontecer”, assumiu depois Jorge Jesus, recordando o surto de Covid-19.

Temos jogadores com os problemas que todos sabemos. E a Covid-19 não deixa apenas o jogador dez dias em casa, deixa-o parado e depois com dificuldade de voltar à forma. Mas os que jogaram hoje fizeram tudo para ganhar o jogo, tiveram momentos de muita qualidade. É claro que a equipa não é muito experiente, há alguma juventude e a nossa equipa treme em momentos decisivos. Temos sido penalizados nisso”, destacou.

Já na conferência de imprensa, Jesus abordou também a recusa do Nacional em adiar a partida, assumindo que os insulares consideraram que assim seria mais fácil (ou menos complicado) quebrar a série de derrotas seguidas na Luz, uma das quais por invulgares números de 10-0. “O nosso adversário achou que, não adiando o jogo, tinha muito mais possibilidades de pontuar hoje aqui. É verdade que te sentes um pouco impotente com isto tudo que se está a passar na equipa. Não é só o não poderes trabalhar com todo, é também o ambiente que estamos a viver. Estava com algum receio para este jogo mas acho que a equipa fez o suficiente para ganhar, nem que fosse por 1-0. Tínhamos de ter maturidade e experiência. Não conseguimos vencer por culpa própria”, concluiu o técnico, que joga na quinta-feira na Taça com o Belenenses SAD e na segunda-feira para a Liga com o Sporting.