A eurodeputada do PCP Sandra Pereira defendeu a que a dignificação do salário e da carreira é o caminho para cativar os profissionais de saúde a voltar a Portugal, contribuindo para colmatar a escassez de trabalhadores.

Só se faz com a dignificação da carreira com a melhoria salarial. Não se pode dizer a um enfermeiro [português] que, neste momento, está a trabalhar no Reino Unido, que regresse sem lhe dar garantias”, afirmou, em declarações aos jornalistas no Porto, onde participou numa “Tribuna Pública” que contou com a intervenção de seis cidadãos.

Sandra Pereira lembrou que muitos destes profissionais foram convidados a emigrar no Governo social-democrata de Passos Coelho, em busca de melhores condições de trabalho que, em Portugal, só podem ser alcançadas com a valorização salarial e das carreiras. Por outro lado, a deputada do PCP no Parlamento Europeu considera que é necessário apostar na criação de mais cursos, investindo na formação de médicos e enfermeiros que o país carece. Para a eurodeputada, a pandemia evidenciou o desinvestimento no Serviço Nacional de Saúde (SNS) que ao longo de anos foi feito por sucessivos governos.

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Há um desinvestimento sistémico no SNS. Muito desse desinvestimento foi sendo promovido pelas próprias políticas da União Europeia e pelos governos que estavam à frente do país, muitas vezes presos a estas recomendações das instituições europeias, dizendo que gastamos muito em despesas pública, nomeadamente em saúde, e o resultado está à vista”, observou.

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Reconhecendo que, apesar dos cortes, o SNS esteve à altura da resposta à crise pandémica, Sandra Pereira considera que Portugal, não fosse o desinvestimento, poderia ter um SNS “mais robusto”, capaz de responder também aos doentes não-Covid. Para a eurodeputada comunista são precisas “medidas extraordinárias para voltar a recuperar o tempo perdido e isso só se faz com mais recursos humanos, com mais equipamentos e com mais infraestruturas”.

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O PCP promoveu, em todo o país, várias ações em defesa do SNS, como vista ao reforço dos serviços, o combate à pandemia de Covid-19 e o regresso à atividade normal. No Porto, a iniciativa contou com a participação de vários cidadãos, entre eles um estudante de medicina que defendeu a necessidade de abandonar o conceito de Sistema Nacional de Saúde, para regressar a um Serviço nacional de Saúde capaz de valorizar os seus profissionais e utentes. À Tribuna Pública subiu também uma professora que defendeu que os docentes deviam ter sido considerados uma prioridade no plano de vacinação português.

A pandemia de Covid-19 provocou, pelo menos, 2.430.693 mortos no mundo, resultantes de mais de 109,8 milhões de casos de infeção, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP. Em Portugal, morreram 15.754 pessoas dos 792.829 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

A doença é transmitida por um novo Coronavírus detetado no final de dezembro de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.