“Não vou dizer que é o melhor vinho que tive na minha vida, já não cola”, começa por dizer Dirk Niepoort, lembrando os elogios que fez no passado aos Vintages nascidos de 2005, 2011, 2015 e, sobretudo, 2017. “Também não vou dizer que nunca vi nada assim, 2019 é um ano com bom equilíbrio, mas se calhar é mais clássico do que 2017, ano que brilha pela perfeição de todos os detalhes”.

Sentado à mesa numa divisão escura das caves da Niepoort, originais do século XIX, apresenta em formato virtual o novo Vintage 2019, de “perfil mais clássico”, “encorpado e com taninos mais maduros”. O produtor duriense compara inevitavelmente o novo rótulo com o anterior, de 2017, um ano que criou vinhos que podem “envelhecer para sempre”, mas não é, no entanto, parco em elogios. Ao Vintage 2019 destina-lhe os seguintes adjetivos: generoso, intenso, dramático e até untuoso, com taninos e acidez “que, como uma vassoura, arrumam a boca”.

Vintage 2017. Como um ano criou vinhos que podem “envelhecer para sempre”

“Parece menos alcoólico do que é e parece mais seco do que na realidade é”, continua. A nova aposta da produtora nasce de vinhas velhas, com mais de 80 anos, e de um ano um pouco quente. “Penso que no 19 conseguimos ter equilíbrio de uma maneira diferente do que no 17”, comenta ainda. “O 17 é uma peça única e está muito perto da perfeição, mas o 19 não anda lá longe e, se calhar, tem mais personalidade.”

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Se a pandemia limitou a apresentação do novo Vintage a uma conversa digital, pautada pela distância física e pela ocasional disfunção tecnológica que já faz parte destas ocasiões, a data foi escolhida ao detalhe para uma dupla celebração: do Vinho do Porto e dos pais, dado que o projeto vínico tem sido construído por pais e filhos. Não é por acaso que, após a apresentação à imprensa, o formato seja repetido na tarde de sexta-feira, dia 19 às 19h, a qual pode ser acompanhada online através deste link.

Contam-se, ao todo, 28 mil garrafas

A prova comentada sobre o novo Vintage tem como anfitriões Dirk e Daniel Niepoort, pai e filho, Zezé Nogueira e o filho, José Rodrigo Nogueira — há vários anos que as duas famílias são unha e carne na feitura do vinho —, e ainda o enólogo Nick Delaforce. A apresentação tem ainda um cunho cultural, ao convidar a banda GNR ao palco montado nas Caves de Serpa Pinto, em Gaia. O Vintage 2019 vai ser provado lado a lado com outro Vintage da casa, do ano 2000, cujas borras vão ser utilizadas por Dirk num momento de culinária. A comparação de anos díspares no tempo tem por base o facto de 2000 e 2019 terem sido semelhantes no que à viticultura diz respeito.

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Apesar da iniciativa, que acontece propositadamente com o Dia do Pai, o vinho em questão apenas será engarrafado em junho ou julho, e deverá chegar ao mercado em setembro — Dirk garante que, até à viagem para o interior da garrafa, o vinho “ainda vai crescer muito”. Contam-se, ao todo, 28 mil garrafas.