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Um estudo veio revelar que as nuvens de uma tempestade que atravessou o Oceano Pacífico em dezembro de 2018 atingiram os 111 graus Celsius  negativos, a temperatura mais baixa alguma vez registada pelos meteorologistas. A intempérie, chamada de “besta gelada”, formou-se a 400 quilómetros do sul do Nauru e chegou mesmo a ultrapassar “os limites dos sensores dos satélites”, indica o investigador Simon Proud, do departamento de Física da Universidade de Oxford e membro do National Center for Earth Observation.

Normalmente, as tempestades chegam à camada mais baixa da atmosfera terrestre, a troposfera, mas, se estiverem associadas a uma forte carga elétrica, podem chegar à seguinte camada, à estratosfera, na qual as temperaturas rondam os 60ºC negativos. A “besta gelada” atingiu uma altitude muito elevada, a níveis que jamais se tinham registado, sendo que os cientistas apontam o forte vento de leste e a temperatura quente da água do mar como geradores da forte carga elétrica. Foi “sem precedentes”, descreve o especialista da Universidade de Oxford.

Este tipo de tempestades com nuvens geladas, cientificamente chamadas de sistemas circulares de baixas pressões, costumam formar-se nos trópicos e “são mais extremas e mais perigosas para as pessoas devido ao granizo, à trovoada e ao vento que provocam”, assinala Simon Proud.

Nos últimos três anos, têm vindo a registar-se temperaturas cada vez mais baixas nas nuvens destas tempestades. Simon Proud considera “necessário compreender se este aumento se deve às alterações climáticas”, ou se simplesmente há um conjugação de fatores que levam a que se forme este tipo de intempéries.

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