A Associação Portuguesa de Hospitalização Privada (APHP) defendeu a criação de um plano excecional e transitório para recuperar até ao final do ano a atividade assistencial não-Covid, nomeadamente no Serviço Nacional de Saúde.

A proposta da criação deste plano tem em conta a atividade assistencial que ficou por realizar em 2020 devido à pandemia de Covid-19, disse à agência Lusa o presidente da associação, recordando os dados do Governo de que terão ficado por fazer cerca de 125 mil cirurgias e mais de um milhão de consultas hospitalares presenciais no SNS.

É esta situação que existe em todas áreas e que tem que ser resolvida“, defendeu Óscar Gaspar, no dia em que se assinala o Dia Mundial da Saúde. Perante esta realidade e o “diagnóstico que é feito“, disse, “os hospitais privados estão disponíveis para uma colaboração mais estreita, mais intensa com o SNS” para ajudar a resolver o problema.

O que se justificava era termos um plano excecional, transitório que permitisse (…) até ao final do ano ultrapassar este atraso e termos atividade que, não só dê conta das necessidades específicas deste ano, mas também que resolvam os atrasados do ano passado que ficaram por fazer, nomeadamente no SNS”, defendeu.

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Questionado se já houve conversações com o Governo nesse sentido, Óscar Gaspar afirmou que o que lhes é transmitido é que, neste momento, “a preocupação principalcontinua a ser o controle da epidemia e o processo de vacinação. Na semana passada, a APHP reuniu-se com a nova direção da Administração Central do Sistema de Saúde, presidida por Vítor Herdeiro, e manifestou-lhe esta disponibilidade dos privados, contou.

“Penso que seria possível fazermos um levantamento a nível nacional, especialidade por especialidade, área regional por área regional, daquilo que são as necessidades e termos aqui um programa que envolvesse todos os recursos do sistema de saúde em prol da resolução das necessidades”, sustentou.

A pandemia também veio colocar dificuldades à forma como os serviços de saúde são prestados e que exigem a utilização de equipamentos de proteção individual, a higienização do espaço e a realização de testes à Covid-19 antes das cirurgias.

Um bloco operatório ou um consultório médico tem menos capacidade por dia, por hora, do que há um ano e isso também nos obriga a ter aqui trabalhos reforçados para termos os cuidados em dia”, explicou.

Sobre os impactos da pandemia na hospitalização privada, disse que o que os hospitais sentiram ao longo de 2020 foi, por um lado, “um espírito de entreajuda e a capacidade de apoiar quando fosse necessário o SNS” e, por outro, uma evolução da procura de cuidados de saúde de acordo com as regras de confinamento. Esta situação levou a uma redução de quase 50% nos episódios de urgência em 2020 e a uma diminuição do número de consultas e cirurgias face a 2019.

Estamos em 2021 e continuamos a ter atividade assistencial para recuperar”, referiu, adiantando que janeiro e fevereiro ainda foram “muito afetados” devido ao confinamento, mas em março já houve “uma boa afluência” de doentes.

Comentando os dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística, que destacam o crescimento da atividade dos hospitais privados nos últimos anos, referiu que já representam “um terço da capacidade hospitalar do país” e que pretendem continuar a investir para “aumentar a oferta de saúde em Portugal”.

“Há um crescimento muito substancial da hospitalização privada nos últimos anos, mas também pelo aumento muito grande de procura de cuidados de saúde”, disse, salientando que já há 4,7 milhões de portugueses que têm nestes hospitais “uma segunda cobertura de saúde“, através de seguros e subsistemas de saúde.

Penso que fica claro para todos que, sendo o país deficitário em termos de infraestruturas de saúde, haver hospitais privados que possam contribuir para o sistema é um aspeto positivo”, rematou.