A Superliga Europeia era uma ideia há muito discutida nos bastidores do futebol europeu, demorou 72 horas a passar à prática quando na quinta-feira foi conhecido o projeto final de remodelação do modelo competitivo da Liga dos Campeões pela UEFA e até domingo os 12 “dissidentes” assinaram o acordo para a criação de uma nova prova, mas teve pelo menos mais dois pontos nos bastidores que sustentaram a concretização da iniciativa: um estudo encomendado a uma empresa especializada na área para perceber qual seria a sensibilidade dos adeptos perante a competição e um documento de quatro pontos que norteava os objetivos da mesma.

A guerra civil na Europa em 2000 e o modelo da NBA: como a Superliga Europeia se inspirou no basquetebol

Tudo para ter mais certezas sobre a decisão. Tudo nos bastidores. Tudo em segredo. Tudo circunscrito a um grupo restrito de pessoas. Em menos de 48 horas, tudo público. Na imprensa espanhola e na imprensa inglesa.

O jornal As revelou esta terça-feira um estudo da empresa Opinionway, encomendado pelos responsáveis pela criação da Superliga Europeia, que validou a opinião de 4.063 adeptos de futebol das mais diversas idades entre 6.272 tentativas com uma outra particularidade: ao invés de 12 clubes, eram 15 aqueles que faziam parte do inquérito, juntando-se o PSG, o Bayern e o B. Dortmund aos já conhecidos Real Madrid, Barcelona, Atl. Madrid, Manchester City, Manchester United, Liverpool, Chelsea, Arsenal, Tottenham, Juventus, Inter e AC Milan.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

O The Times fala num, o The Guardian diz que são dois (City e Chelsea): ingleses começam a saltar do barco da Superliga Europeia?

O estudo foi feito entre os dias 10 e 15 de fevereiro, com uma margem de erro de 0,8% a 1,6%, e concluía que a maioria era a favor da Superliga Europeia, numa média de 66% de aprovação entre os 76% em Espanha e os 57% na Alemanha (havendo pelo meio os 72% de Itália, os 71% de França e os 59% do Reino Unido). Entre os adeptos que mais se mostravam favoráveis, 87% eram do Manchester City, 86% do Real Madrid e 84% do PSG, ficando no polo oposto os adeptos do Tottenham (60%) e do B. Dortmund (59%). Por idades, havia uma aceitação de 73% entre os 15 e os 24 anos, 76% dos 25 aos 34, 71% dos 35 aos 49, 56% dos 50 aos 64 e 50% com 65 ou mais.

Também esta terça-feira, o The Guardian revelou um documento descoberto num código escondido do novo site da Superliga Europeia que nunca tinha sido publicado que, em quatro pontos, resume os principais objetivos da prova – com essa particularidade de, como explica a publicação, ser tão fácil de descobrir mesmo sem grandes conhecimentos sobre códigos informáticos que deveria envergonhar os próprios responsáveis da prova.

A defesa da Superliga, por Florentino Pérez: “Estava a perder interesse, há muitos jogos de má qualidade. Os jovens não se interessam”

  1. Superar as expetativas dos fãs. O nosso objetivo é oferecer aos adeptos o melhor futebol possível e, ao mesmo tempo, conceder acesso aos clubes mais qualificados para garantir a vibração da competição e para manter um forte compromissos com o princípio do mérito desportivo;
  2. Solidariedade e sustentabilidade, incluindo “bilhetes a preços acessíveis” e “reinvestimento na pirâmide do futebol por meio de pagamentos contínuos e substanciais de solidariedade. O documento acrescenta ainda que “os pagamentos de solidariedade da Superliga Europeia devem crescer de forma automática às receitas gerais da liga e serão três vezes maiores do que os pagamentos provenientes da atual prova”;
  3. Compromisso com as ligas nacionais: “A nova Superliga foi desenhada em torno do princípio de manter as ligas nacionais fortes e vibrantes, e continuaremos a cada fim de semana nas nossas competições nacionais como sempre fizemos”;
  4. Prontidão para mudar: “A estrutura de propriedade e governance da Superliga foi projetada para nos permitir adotar e incorporar rapidamente novas ideias na competição, quer sejam mudanças nos formatos de distribuição de jogos ao vivo, na implementação de regras com tecnologia aprimorada ou no desenvolvimento de jogadores. Não podemos mais depender de órgãos externos para impulsionar o progresso nessas áreas ”.