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A arena do Coliseu de Roma vai ser reconstruída de forma a melhorar a visita a este histórico edifício italiano. O objetivo é colocar um novo piso no anfiteatro, que perdeu o seu original ao longo dos séculos.

Foi lançado um concurso público para a candidatura de projetos que apresentassem soluções para o chão do anfiteatro. Surgiram 11 candidaturas e a escolhida é um projeto do estúdio Milan Engineering, anunciou esta segunda-feira a diretora do Coliseu, Alfonsina Russo, em conferência de imprensa online, segundo o jornal “El Mundo”.

O próximo passo é o lançamento de um concurso público, no valor máximo de 15 milhões de euros, para encontrar uma empresa que construa a plataforma.

De acordo com o mesmo jornal, este projeto será desenvolvido em coordenação com a UNESCO e, segundo as previsões, as obras começam já no final deste ano ou no início de 2022, para que a arena fique pronta em 2023.

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Trata-se de uma plataforma de cerca de 3.000 metros quadrados que percorrerá todo o centro do Coliseu e que poderá ser aberta e fechada de modo a ser possível ver os espaços subterrâneos. A plataforma será construída com materiais resistentes a todas as condições meteorológicas, de forma a não danificar a cave nem as paredes do edifício. Este projeto garante que vai respeitar totalmente o monumento histórico.

Há dois grandes objetivos desta requalificação: preservar os espaços subterrâneos das condições meteorológicas mais adversas e oferecer aos visitantes uma vista única do edifício, partindo do seu ponto central.

Além disso, esta plataforma terá um sistema para armazenar água da chuva, que vai ser reaproveitada. A plataforma terá ainda um sistema de alarme para detetar qualquer alteração prejudicial do microclima.

Este novo pavimento, construído com materiais de madeira “leves”, vai permitir que o visitante possa apreciar o Coliseu sob um outro ponto de vista, que até aqui não era possível. Pretende-se que o edifício seja utilizado também para acolher algum tipo de evento “de importância internacional”, desde que não represente qualquer perigo para a sua conservação.

O ministro da Cultura italiano, Dario Franceschini diz que o projeto “vai tornar a visita ao Coliseu ainda mais estimulante”. Dario Franceschini diz que sabe que esta requalificação vai gerar debate entre historiadores e arqueólogos, divididos entre os que defendem a recuperação da arena e os que preferem que o Coliseu permaneça tal como está, por medo de o danificar.

“Penso que este trabalho vai gerar debate naturalmente (…), mas na minha opinião traz um grande valor, aliando sustentabilidade, protecção e inovação tecnológica”, defendeu.