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A Procuradoria-Geral da República (PGR) e vários departamentos do Ministério Público (MP) receberam uma denúncia com assinatura do movimento conspiracionista norte-americano QAnon, a dar conta de que Rui Pinto teria na sua posse um disco rígido (RP8) que comprovava a existência de uma rede de abusos sexuais a menores na qual estariam envolvidos políticos, empresários e atletas portugueses. O Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) acabou por investigar o assunto, mas o processo foi arquivado.

Segundo a Sábado, a denúncia alegadamente com origem no grupo QAnon — recebida na PGR através de um email — garantia que o pirata informático tinha provas de que havia uma elite corrupta e pedófila no país. Devido ao teor das acusações e por implicar “personalidades públicas e influentes”, a PGR decidiu encaminhar a denúncia para o DCIAP, que desencriptou e levou a cabo um exame forense ao RP8, o oitavo dispositivo apreendido a Rui Pinto. No âmbito do processo, o hacker também foi interrogado e afirmou não existir “conteúdos de abuso sexual ou exploração sexual de menores nas diversas pastas que constituem o RP8”.

José Amador, o elemento da PJ que deteve o pirata informático e que trouxe os discos rígidos de Budapeste, também corroborou as declarações do hacker, dizendo que a “maioria dos ficheiros apreciados traduzem arquivos de correio eletrónico e não foi encontrada qualquer imagem compatível com abuso sexual de crianças ou pornografia infantil”.

Poucos dias após a audição de Rui Pinto, o DCIAP decidiu arquivar o ao processo, tendo chegado à conclusão de que tudo não passava de uma teoria da conspiração. No entanto, a denúncia já tinha sido encaminhada para para vários departamentos do MP, sendo que cada um ficou encarregado de abrir a sua própria investigação. Um deles, em Faro, foi inclusive assinada por uma identidade falsa, indica a revista.

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Esta informação terá sido depois espalhada na Internet em vários sites de notícias falsas e de teorias da conspiração. Um deles foi a plataforma Voz Ibérica, noticia a Sábado, na qual colaboram alguns elementos ligados ao partido Chega. O termo “disco 8” começou a ser usado para designar o dispositivo.

O grupo norte-americano QAnon é também responsável por espalhar teorias de conspiração e está conotado com a extrema-direita — terá estado na origem do ataque a Capitólio em janeiro.