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Um a um, foram caindo quase todos, adiados para 2022. Eis mais um grande festival de verão que, tal como no ano passado, este ano também não se realizará: a organização do festival de música de Paredes de Coura acaba de anunciar que a edição prevista para 2021 ficou sem efeito. “Não haverá Vodafone Paredes de Coura este ano”, lê-se em comunicado.

A próxima edição do festival estava agendada para os dias 18, 19, 20 e 21 de agosto, ou seja, para daqui a dois meses. No cartaz prometiam-se atuações de Pixies, Jarvis Cocker (com o seu projeto recente Jarv Is), Slowthai, Idles, BadBadNotGood, Mac DeMarco, Yves Tumor & Its Band, The Comet Is Coming, Mão Morta, Princess Nokia, Woods, Viagra Boys, Squid e Floating Points, entre outros.

Existiam, porém, mais artistas e bandas que a organização contava ter este verão no festival e que não tinham sido ainda anunciados. Lembrando que a maior parte dos integrantes do cartaz de 2021 eram europeus, o que facilitaria a ida a Portugal para um concerto em Paredes de Coura (“hoje em dia já se pode fazer um grande festival com bandas europeias, houve tempos em que isso não era possível”), o diretor do evento, João Carvalho, revelou ao Observador que estava previsto que por exemplo a banda rock Mogwai e a jovem sensação da música britânica Arlo Parks atuassem em agosto em Coura.

Tínhamos nomes super interessantes, alguns reconfirmados [do cartaz da edição de 2020, que não chegou a acontecer] e outros novos, como os Mogwai. Tínhamos sumo, tínhamos uma grande edição em perspetiva. A Arlo Parks era um dos nomes que nem anunciámos e tinha uma felicidade enorme por conseguirmos a Arlo Parks, fez um dos discos que mais ouvi na quarentena“, referiu João Carvalho.

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Críticas a Governo e DGS. E como fica o reembolso

A decisão de adiamento foi tomada pela organização mas motivada também, diz João Carvalho, “pela falta de respostas do Governo e da DGS”. “Perante tamanha incerteza e pelo respeito que sempre tivemos pelo nosso público, tínhamos de ter uma decisão”, aponta ainda, acrescentando: “Sei muito bem que há pessoas que têm férias marcadas há mais de um ano, pessoas que estavam à espera de resposta. Há pessoas com casa alugada em Paredes de Coura, há bandas que me pressionavam porque tinham alternativas e precisavam de uma resposta… tivemos de tomar uma decisão, a mais triste”.

“Decisão deve-se à falta de respostas do Governo e da DGS”, diz o diretor do Festival Paredes de Coura

O evento é assim mais um dos grandes festivais de música e de verão do país — um dos poucos que estava ainda por adiar — que ficaram sem efeito. Já tinham sido comunicados os adiamentos de eventos como o Rock in Rio Lisboa, o NOS Alive e o Super Bock Super Rock.

A organização do festival dá informações sobre possíveis pedidos de reembolso de bilhetes: “Todos os bilhetes adquiridos para as edições de 2020 e 2021 são válidos para a edição de 2022 do Vodafone Paredes de Coura. Se por algum motivo não puderem comparecer na próxima edição podem efetuar o pedido de reembolso entre o dia 18 de agosto e o dia 6 de setembro de 2021, através de um formulário criado para o efeito e que estará disponível no nosso site”.

Todos os portadores de bilhete (…) não têm possibilidade de reembolso de momento, podendo, no entanto, solicitar a sua substituição nos termos legalmente previstos. Sempre que decidem manter o vosso bilhete para a próxima edição estão a ajudar toda a comunidade que envolve o festival neste momento tão difícil. A necessidade de partilhar cultura e música ao vivo nunca perderá a sua importância”, lê-se na nota oficial.

Novo evento em vista: “Queremos fazer alguma coisa marcante em Paredes de Coura”

Não podendo organizar este ano uma edição de um festival com a dimensão do Vodafone Paredes de Coura, devido à atual situação pandémica, o diretor do evento João Carvalho promete no entanto organizar um outro evento paralelo de música ao vivo — de menor dimensão e que não pode ser confundido com o festival — para o final do verão ou início do outono.

Esse evento, que ainda não foi anunciado, deverá ser marcado para agosto, setembro ou outubro. “É algo que queremos muito fazer, até porque temos um concelho necessitado e carenciado de eventos, um concelho que dependia mesmo muito do festival e que está a passar por algumas dificuldades. E porque estamos todos a precisar de nos divertir, estamos a pensar fazer algo”.

O modelo e data não estão fechados. Não quisemos confundir o festival com outro evento — não quisemos estar a anunciar algo mais para não houver misturas e confusões. Vamos garantidamente fazer alguma coisa em Paredes de Coura. Se me perguntar se será em agosto, setembro ou outubro, não sei — mas será num desses três meses. Queremos fazer alguma coisa marcante em Paredes de Coura e vamos seguramente fazê-lo, provavelmente a partir de agosto as pessoas já sentirão outra segurança, este ceticismo todo ter-se-á evaporado”, referiu João Carvalho.

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Comunicado visava “incertezas e constantes alterações no regresso dos espetáculos”

A nota oficial partilhada pela organização, em que era anunciado o adiamento para 2022, começava por vincar: “O nosso maior medo tornou-se realidade. Pela segunda vez somos obrigados a parar“. Isto quando “tudo prometia um ano melhor, um verão de celebração, de dias longos passados com quem mais gostamos, de tardes recheadas de música, de dança e de muita alegria. Ia ser o ano dos abraços, aquele em que íamos festejar mais, viver mais, amar mais, mas com muito peso no coração somos obrigados a admitir que ainda não é desta. Um futuro risonho aproxima-se, mas não chegou rápido o suficiente para voltarmos”.

Não haverá Vodafone Paredes de Coura este ano. Todas as incertezas e constantes alterações nos procedimentos do regresso dos espetáculos ao vivo levam-nos com muita mágoa a admitir que esta é a decisão mais sensata a tomar”, refere o comunicado.

A organização dá conta ainda de que “estes últimos meses foram passados numa constante dedicação à procura de uma ideia que tornasse possível a celebração desta edição do Vodafone Paredes de Coura” e revela que “foram elaborados planos alternativos, soluções invulgares, rotas improvisadas, que infelizmente não podemos colocar em prática“.

Nota – Artigo atualizado às 16h55 com declarações de João Carvalho, diretor do festival