Apps do Android nos computadores, videojogos, a aposta numa loja oficial de aplicações e um sistema operativo que quer pô-lo a ser mais produtivo até quando usa um tablet. Numa apresentação que ficou marcada por várias falhas técnicas que ocorreram na transmissão em direto — em todo o mundo houve pausas e quem se queixasse de que não conseguia acompanhar devidamente o evento –, a Microsoft apresentou esta quinta-feira o seu próximo sistema operativo, o Windows 11. De acordo com Satya Nadella, presidente executivo da Microsoft, “a aspiração do Windows 11 é ser a base da próxima web”.

A data de lançamento desta versão do sistema operativo da Microsoft está marcada para “o início deste verão” e, mantendo uma promessa de 2015 da empresa, este vai estar disponível gratuitamente para quem já tem o Windows 10 até “2022”. Em cinco pontos, deixamos as principais novidades do Windows 11.

[O vídeo de apresentação do novo Windows 11]

Um visual ao centro para um, dois ou três ecrãs, tanto para tablets como para computadores

À semelhança das versões passadas do Windows, a principal diferença que o utilizador vai notar no Windows 11 é no visual. Como tinha sido divulgado previamente a este evento, a Microsoft optou por pôr, por definição, o menu iniciar e as aplicações no fundo do ecrã ao centro (como já acontece, por exemplo, com o macOS, da Apple). Além disso, e como explica a empresa em comunicado, o botão Iniciar vai utilizar “o poder da cloud e do Microsoft 365 para mostrar ao utilizador os seus ficheiros recentes, independentemente da plataforma ou dispositivo em que os estava a visualizar anteriormente, mesmo que, antes de iniciar a sessão, “estivesse num dispositivo Android ou iOS”.

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Outras das características deste novo visual do Windows 11 é que é pensado, à semelhança do Windows 10, para ser usado tanto em computadores de secretária, como em portáteis, como em tablets. Ou seja, seja com rato e teclado ou num ecrã tátil, a interface está pensada para que tenha sempre uma utilização fluida. Também por isso, o Windows 11 está pensado para aquelas pessoas que utilizam o sistema com um ou mais ecrãs, dependendo do local onde estejam a usar o computador. Para isso, o sistema memorizará o local onde as janelas estavam abertas no segundo ecrã sempre que for ligado a um, e minimizará automaticamente quando desconectado (com o Windows 10 esta gestão pode ser complicada).

[Veja na fotogaleria abaixo imagens do Windows 11]

7 fotos

Este sistema introduz ainda a opção “Desktops”, que permite a cada utilizador criar “espaços separados para cada dimensão da sua vida – trabalho, jogos ou escola, por exemplo – e personalizá-los de acordo com o seu gosto pessoal, alternando ainda entre eles”, explica a empresa.

Por fim, o Microsoft Teams, a ferramenta para trabalho remoto da Microsoft que viu um enorme crescimento devido à pandemia de Covid-19, vai passar “a estar integrado na barra de tarefas”, e os Widgets, os botões com ecrãs dinâmicos que mostram informação de um programa informático, estão de volta ao Windows (tinham deixado de existir nativamente com o 10).

Apps do Android no Windows

Com o Windows 10 já é possível usar a partir do ecrã do computador as apps do sistema operativo móvel Android. Não é fácil — é preciso ter o telemóvel adequado ligado ao aparelho –, mas é possível. Com o Windows 11, a empresa quer tornar esta tarefa mais fácil. Por isso, diz que “pela primeira vez, traz aplicações Android para o Windows”. Através da integração da Amazon Appstore, este sistema operativo permitirá que utilize, como exemplificou a Microsoft, apps como a rede social TikTok diretamente num computador.

Uma Microsoft Store que dá “100% das receitas” aos criadores

Numa altura em que a Apple está numa guerra com programadores devido à taxa de 30% que cobra a quem queira vender programas informáticos através da sua loja de aplicações, a Microsoft faz uma promessa ousada. Com o Windows 11, a empresa vai dar “a possibilidade aos criadores de trazerem o seu próprio negócio para a Microsoft Store e manter 100% das receitas”. Não se sabe os critérios desta oferta, mas a empresa diz ainda que tem “uma competitiva quota de receitas de 85/15” como entrada base.

Ao descarregar uma aplicação na Microsoft Store, o utilizador fá-lo com a tranquilidade de saber que foi previamente testada para uma utilização segura e em família”, afirma a empresa.

Nas últimas décadas, o Windows tem sido sinónimo de um sistema operativo no qual é permitido instalar, praticamente, qualquer programa informático. Contudo, com isso, também ficou associado a ser um software muito permeável. Para mitigar este problema, a Microsoft quer incentivar os utilizadores do Windows a instalarem os programas informáticos através da sua loja oficial — como fazemos com os smartphones. Desta forma, e com o Windows 11, a empresa promete mais “segurança”, além de afirmar que vai conseguir oferecer neste novo sistema operativo as principais apps através desta plataforma.

O Windows 11 quer continuar a ser o sistema operativo dos jogos mais potentes

Seja com o DirectX 12 Ultimate, que promete levar os videojogos a usar “gráficos imersivos de cortar a respiração”, ou seja com o “Auto HDR”, uma opção nativa deste sistema operativo que promete melhorar os visuais de qualquer jogo, a Microsoft prometeu durante a apresentação do Windows 11 que os computadores podem também ser a “casa” dos jogos. Além disso, a empresa afirma que este software continuará “a suportar os acessórios de jogo para PC e os periféricos preferidos dos utilizadores”.

Por outras palavras, e sendo o Windows o sistema operativo dominante nos computadores domésticos, a Microsoft diz abertamente que quer continuar a oferecer o melhor de um termo cada vez mais usado: o gaming.

Um sistema operativo “aberto” e “rápido”

É a promessa recorrente com cada versão de um novo sistema operativo, mas não é por isso que deixa de ser operativo. A Microsoft disse que o Windows 11 vai ser mais “rápido” continuando a ser um software que pretende ser “aberto”. O que é que isto significa? Que o “Windows 11 mantém a base consistente, compatível e familiar do Windows 10”. Por outras palavras, que o Windows 11 não vai fugir muito ao que já se pode fazer e criar para o Windows 10. Como disse Satya Nadella na apresentação, “a Web nasceu e cresceu com o Windows” e, segundo o líder da empresa, este poderá ser a base da próxima.