Em Tóquio 2020, nos primeiros Jogos Olímpicos com máscaras, os atletas que chegam ao pódio só as retiram para a fotografia da praxe, com os três medalhados. Fernando Pimenta, porém, surpreendeu ao tirar a máscara assim que foi chamado pelo speaker, antes ainda de subir ao terceiro degrau do pódio. Tinha um motivo válido: ajoelhou-se, beijou o pódio, subiu o degrau e colocou na boca uma chupeta da filha Margarida. Voltou a pôr a máscara, recebeu a medalha de bronze e tornou-se o terceiro medalhado de Portugal no Japão.

O canoísta português chegou à final de K1 1000 depois de ter quebrado o recorde olímpico na meia-final, onde venceu. No derradeiro percurso, Pimenta saiu bem, ainda liderou mas acabou por não conseguir combater a superioridade do húngaro Balint Kopasz e do também húngaro Adam Varga, que resgatou a medalha de prata já nos instantes finais. Assim, o atleta do Benfica chegou à segunda medalha olímpica da carreira, depois da prata em Londres 2012 ao lado de Emanuel Silva e no K2 1000 e tornou-se o quarto atleta português a ganhar duas medalhas depois de Carlos Lopes, Rosa Mota e Fernanda Ribeiro.

Logo depois de receber a medalha, Fernando Pimenta explicou que esta é “mais uma medalha” mas que a principal ficou em Portugal. “Já tinha a minha medalha, que é a Margarida. Esta é mais uma e é muito especial, nos Jogos Olímpicos, a minha segunda medalha. Sonhava com mais, ambicionava mais, trabalhei para isso. Só tenho de sair de consciência tranquila e feliz. Consegui honrar todos os portugueses e consegui mais uma medalha para o meu currículo, a número 105. Ainda tenho uma longa carreira pela frente. Só tenho de estar orgulhoso e agradecer a toda a gente que esteve ao meu lado, a todos aqueles que depois do resultado de 2016, depois do Rio, continuaram a acreditar em mim e a apoiar-me. Só eu e o meu treinador é que sabemos aquilo por que passámos”, disse o atleta de 31 anos, recordando o quinto lugar de há cinco anos.