Foi adiada a decisão final do caso do empresário acusado de burlar quatro pessoas em 348 mil euros na venda de supostas ações de empresas que teriam patenteado chips capazes de detetar cancro. A leitura do acórdão estava marcada para esta sexta-feira, no Tribunal São João Novo, no Porto, mas os juízes anunciaram uma possível alteração não substancial dos factos da acusação. E os advogados não abdicaram do prazo para as analisar. Nova data da leitura do acórdão foi apontada para 14 de outubro.

Examinada a prova em audiência de julgamento, entende o tribunal existir uma possível alteração dos factos da acusação, de carácter não substancial”, explicou o juiz presidente do coletivo na sala de audiências.

Agora, os advogados terão um prazo de 20 dias para analisar cada uma das possíveis alterações e comunicar se têm novos elementos a apresentar — como a audição de mais testemunhas, por exemplo. Se o fizerem, a audiência de julgamento será reaberta para permitir esses depoimentos. Só depois serão marcadas novas alegações finais e a nova data para a leitura do acórdão. Caso não o façam, será marcada a data para a decisão final do caso. Embora não tenha ficado totalmente confirmada, juízes e advogados apontaram o dia 14 de outubro como possível data.

Burla de 348 mil euros com ações, patente e chip falsos em julgamento no Porto

O empresário está acusado de quatro crimes de burla qualificada e um de falsificação de documento. Natural do Porto e atualmente com 64 anos, António Coelho terá burlado quatro pessoas, duas delas médicos, ao vender falsas ações de empresas que teriam patenteado um chip injetável para detetar precocemente o cancro, segundo uma acusação do Ministério Público.

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De acordo com a acusação, António Coelho desenvolveu um “esquema de persuasão muito requintado e cauteloso”. Começava por desenvolver uma amizade com os seus alvos e, para demonstrar credibilidade, dizia-se “uma pessoa bastante influente, com grande poder económico”  — e até, num dos casos, amigo da empresária angolana Isabel dos Santos.

Das quatro vítimas, das quais obteve 348 mil euros, o responsável de uma clínica de estética do Porto foi o maior lesado. Em 2012, acabou por transferir 250 mil euros para a conta do arguido para comprar ações da Ulley Group Suisse, SA, a empresa que deteria a patente do tal chip. Só que essa empresa, segundo o Ministério Público, não tinha existência legal.

As alegadas burlas arrastaram-se durante vários anos e só foram travadas quando foi apresentada queixa contra o empresário. Acusado em 2019, António Coelho começou a ser julgado em março. E deveria saber se seria condenado ou não esta sexta-feira.