Tem acesso livre a todos os artigos do Observador por ser nosso assinante.

Entre os Europeus e o Campeonato do Mundo, mais uma vitória em etapas e mais um triunfo na geral final da classificação. Após um início de época muito bom, onde terminou a Volta aos Emirados Árabes Unidos no pódio e acabou em sexto a mediática Tirreno-Adriático, João Almeida conseguiu dar prolongamento ao ano de verdadeira confirmação no World Tour, juntando à vitória na Volta à Polónia o triunfo na Volta ao Luxemburgo, tornando-se o primeiro português de sempre a conquistar a competição.

A vitória, essa, mostrou em capítulos diferentes o “salto” que o português deu neste tipo de provas e até na forma de abordar cada competição onde entra: ganhou a primeira etapa que fez já uma seleção entre os principais favoritos com um fantástico sprint pelo exterior após sair de uma zona onde estava bloqueado; perdeu a segunda etapa e a camisola amarela mas foi somando bonificações durante e no final da tirada com um segundo lugar que lhe permitiu ficar apenas a quatro segundos de Marc Hirschi; controlou as distâncias numa terceira etapa que podia trazer problemas pelas características; e recuperou a liderança na quarta etapa, um contrarrelógio à sua medida onde foi apenas batido pelo companheiro de equipa Mattia Cattaneo, acabando na segunda posição apenas a dois segundos do transalpino.

Contas feitas, o corredor de A-dos-Francos passou a ter uma vantagem de 43 segundos sobre Marc Hirschi, o melhor da UAE Team Emirates que será o destino de João Almeida a partida da próxima temporada, vendo ainda Cattaneo em terceiro a 50 segundos e David de la Cruz em quarto a 52 segundos, sendo que o quinto, o francês Pierre Latour da TotalEnergies, estava a mais de um minuto. Assim, e na ligação entre Mersh e a Cidade do Luxemburgo, o número 1 da Deceuninck Quick-Step teria apenas de gerir o avanço conquistado no contrarrelógio para fazer esta quinta e última etapa o dia de consagração.

Mais do que gerir, deu espectáculo. E mesmo tendo essa vantagem, João Almeida voltou a fazer um segundo lugar em etapas, terminando ao sprint apenas atrás de David Gaudu, numa tirada onde chegaram ainda na frente Pierre Latour, Marc Hirschi ou o companheiro da Deceuninck, Fausto Masnada. Na geral, o português reforçou a liderança com as bonificações, ficando com 46 segundos de avanço em relação a Marc Hirschi, e garantiu também as vitórias nas camisolas dos pontos e da juventude além da geral.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

Depois do fantástico quarto lugar no Giro de 2020 que colocou João Almeida no centro das atenções no plano internacional, o português começa assim a consolidar (ainda mais) uma temporada de luxo que irá marcar a despedida da Deceuninck para o início de uma nova aventura na UAE Team Emirates: foi terceiro na Volta aos Emirados conseguindo o primeiro pódio do World Tour; acabou em sexto a Tirreno-Adriático atrás de nomes como Tadej Pogacar, Wout van Aert, Mikel Landa ou Egan Bernal; ficou em sétimo na Volta à Catalunha ganhando a camisola da juventude; terminou em sexto a Volta a Itália com uma última semana onde conseguiu quatro top 5 de etapa (entre dois segundos); sagrou-se campeão nacional de contrarrelógio; ganhou a Volta à Polónia com dois triunfos em etapas; ficou em 18.º no Tour da Alemanha; e terminou o contrarrelógio dos Europeus em décimo, ficando em 14.º na prova de estrada.

João Almeida vai agora juntar-se à Seleção Nacional liderada por José Poeira, não participando na prova de contrarrelógio dos Mundiais que se realiza este domingo (Portugal contará na especialidade com Nelson Oliveira e Rafael Reis) mas entrando uma semana depois na tão aguardada prova de estrada.