Há quatro temporadas que uma equipa não conseguia ganhar os primeiros seis jogos do Campeonato, neste caso FC Porto e Sporting, há 39 anos que o Benfica não conseguia ter um arranque assim na prova. Mais do que isso, nunca os encarnados tinham começado com 18 pontos (ou 12, antes de 1995/96) tendo um técnico português no comando. Logo à cabeça, à parte dos quatro pontos de vantagem restabelecidos em relação aos dois rivais diretos, este era o resultado prático de mais um triunfo dos encarnados na principal prova nacional, neste caso diante do Boavista na Luz. Mas os números do trajeto contam mais histórias.

Weigl escreveu a teoria da evolução de Darwin em 135 segundos (a crónica do Benfica-Boavista)

Apesar do (grande) golo de Gustavo Sauer, o conjunto de Jorge Jesus manteve-se como um das melhores defesas da prova com apenas três consentidos a par de FC Porto, Sporting e V. Guimarães (o seu próximo adversário, no Minho) e reforçou o estatuto de equipa mais concretizadora, prolongando o registo de pelo menos dois golos por jogo num total de 16 em apenas seis jornadas. Darwin Núñez, de novo titular mais pela esquerda do ataque dos encarnados, voltou a ser figura, bisando pelo segundo encontro seguido naquele que foi o quarto encontro pelo Benfica em que marcou dois ou mais golos (primeiro na Luz).

No final da partida, e apesar de este ser um registo que apenas por uma vez não valeu o título ao Benfica na longínqua temporada de 1952/53, Jorge Jesus preferiu falar apenas de “sinais positivos” e não esqueceu também o facto de terem sido os axadrezados a derrotar pela primeira vez as águias na época passada.

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“Foi a sexta vitória consecutiva. Era importante por vários motivos, também por ser frente ao Boavista que no ano passado nos tirou essa marca. A equipa teve muita personalidade e qualidade. Sofremos um golo fruto da qualidade do adversário. Quando o jogo poderia estar mais fácil, não tivemos tanto a bola como deveríamos ter, com o 3-1 não precisas de jogar no risco. Deixámos que o Boavista pudesse ainda pensar no resultado. O Benfica deixou o Boavista ter um pouco de bola quando não deveria ser assim”, apontou Jorge Jesus, na primeira análise feita na zona de entrevistas rápidas do canal do clube.

“Darwin mais à esquerda? Ofensivamente, temos vários posicionamentos de estratégia, tem a ver com a forma como o adversário está a jogar. Durante o jogo vai acontecer isto várias vezes, vamos mudando os jogadores de posição e vamos fazê-lo mais vezes. Os golos e a liderança são sinais positivos. Somos uma equipa que em qualquer momento faz golo. O Benfica não precisa de estar muito tempo a atacar, o único caso em que foi diferente foi em Kiev, onde estivemos durante a maior parte do tempo no ataque mas não fizemos golos. O Benfica com Darwin e Rafa em qualquer momento desestabiliza a última linha do adversário e acaba por fazer golo e foi isso que aconteceu. Temos a felicidade de ter Darwin e Rafa quando estão bem, fogem do Roman [Yaremchuk], do Rodrigo [Pinho], do Everton ou do Pizzi, são jogadores que têm características importantes em alguns jogos e noutros nem tanto”, acrescentou ainda na BTV, antes de enaltecer também a importância dos adeptos sobretudo na reação que tiveram após o empate.

Darwin Núñez, de novo o Homem do Jogo depois de mais um bis que o colocou como o segundo melhor marcador do Campeonato apenas a um golo do colombiano Luis Díaz, destacou a importância da exibição coletiva para nova noite concretizadora, abordando também o bom momento que atravessa.

“Este prémio para um jogador significa muito mas o mais importante é o coletivo, aquilo que o grupo fez durante o jogo. Fizemos um grande jogo para levarmos os três pontos. Boa fase? Como sempre disse, um avançado vive de golos. Quando não saem, tem de se ajudar a equipa e isso é o mais importante. Quando ganhamos, ganhamos todos; quando perdemos, perdemos todos. Fico satisfeito por marcar e ajudar a equipa mas há que pensar já no próximo jogo. Estamos a ir no caminho certo. Temos de manter os pés assentes no chão porque esta é uma competição longa. Temos de pensar jogo a jogo para no final da época conseguirmos alcançar os objetivos”, destacou o uruguaio na flash interview da BTV.