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Olaf Scholz, candidato do Partido Social Democrata alemão (SPD) a chanceler, voltou a destacar-se e foi declarado vencedor do último debate antes das eleições do próximo domingo na Alemanha, o que faz com que parta da pole position para esta última semana de campanha.

Durante 90 minutos, naquele que foi o terceiro debate entre candidatos a chanceler, Olaf Scholz, Armin Laschet — candidato da União Democrata-Cristã (CDU) — e Annalena Baerbock, candidata dos Verdes, focaram-se na discussão da política interna alemã, com temas como as alterações climáticas, a pandemia de Covid-19 e o combate à pobreza a se destacarem. E a aproximação entre verdes e sociais-democratas ficou ainda mais clara.

Olaf Scholz e Annalena Baerbock concordaram na necessidade de aumentar o salário mínimo para os 12 euros por hora (atualmente está nos 9,60 euros), de taxar as maiores fortunas de forma a aliviar a pressão sobre os mais pobres e de criar um rendimento básico para as crianças, ideias rejeitadas por Armin Laschet, que se apresentou como defensor dos empregadores e da criação de emprego, rejeitando aumento de impostos.

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Com Scholz e Baerbock a falarem a uma só voz em vários temas, ficou claro que sociais-democratas e verdes consideram-se parceiros naturais no pós-eleições, com ambos a afirmarem que está na altura de a CDU, 16 anos depois, ir para a oposição. No entanto, ao que tudo indica, para que haja uma maioria, o próximo governo terá de incluir um terceiro partido. E só a Alternativa para a Alemanha (AfD, de extrema-direita) está totalmente afastada de qualquer negociação.

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Mas, apesar da aproximação entre os dois partidos, a candidata dos Verdes deixou também críticas a Olaf Scholz, apontando ao historial do social-democrata no ministério das Finanças e pedindo maior ambição no combate às alterações climáticas — crítica que estendeu também a Armin Laschet.

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Numa altura em que 40% dos alemães ainda não sabem em quem vão votar, o debate deste domingo não trouxe grandes novidades, o que favorece Scholz, uma vez que o seu partido lidera as sondagens a nível nacional — a última sondagem do INSA, citada pela Deutsche Welle, mostra o SPD com 26% das intenções de voto, seguindo-se a CDU com 21% e os Verdes com 15%.

Mantendo o seu estilo calmo e pragmático, tal como tinha acontecido nos dois debates anteriores, Olaf Scholz foi considerado o vencedor do debate deste domingo, tendo uma sondagem do instituto Forsa indicado que 42% dos telespectadores alemães consideram que o social-democrata teve o melhor desempenho no debate. Para 27%, o vencedor foi Armin Laschet, enquanto 25% consideraram que quem esteve melhor foi Annalena Baerbock.

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O SPD está a apostar numa campanha centrada na figura do seu candidato, que se apresenta como o sucessor natural de Merkel, e essa estratégia deverá continuar até final da campanha. Esta segunda-feira, no entanto, Olaf Scholz vai depor numa comissão parlamentar sobre investigações realizadas ao departamento de combate à lavagem de dinheiro do seu ministério Finanças, pelo que o seu desempenho nessa comissão poderá ser um momento decisivo para o rumo da campanha, que entra agora numa fase crucial, onde qualquer erro pode ser fatal para as ambições dos três candidatos a chanceler.

O grande desafio para os candidatos passa agora por convencer os indecisos, numa altura em que tudo parece estar em aberto, embora o favoritismo recaia sobre o SPD, que não chefia um governo desde 2005.