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A Toyota decidiu atacar um dos segmentos que mais cresce no mercado europeu, o dos B-SUV. São veículos que aliam o aspecto mais radical de quem está apto a lidar com incursões por estradas de terra e que continuam a ter como base a plataforma de um utilitário, tradicionalmente mais acessível. O modelo em causa é o Yaris Cross, que vai enfrentar os tradicionais líderes do segmento, respectivamente o Peugeot 2008 e o Renault Captur.

Partilhando a arquitectura GA-B que o construtor japonês utiliza nos seus modelos do segmento B, como o Yaris, o novo Yaris Cross é igualmente produzido na fábrica que a marca possui em França, de onde irão sair 150.000 unidades por ano, o mesmo valor do utilitário Yaris. Com mais 24 cm de comprimento e mais 9,5 cm de altura, mas a mesma distância entre eixos, o novo B-SUV assume-se esteticamente como um SUV tradicional, com frente vertical e um design que lhe incute robustez, um capot elevado e plano, guarda-lamas alargados e com desenho mais “quadrado” do que arredondado e uma maior altura ao solo.

Apesar de não ser tão grande quanto alguns dos seus rivais, o Yaris Cross compensa ao ser substancialmente mais leve – comparando as versões híbridas com o Renault, o Toyota é mais leve 268 kg –, oferecendo um pouco menos de espaço interior, mas uma mala mais generosa (397 litros, contra apenas 305 litros do rival francês).

Motor híbrido e tracção integral fazem a diferença

Além da estética atraente, o Yaris Cross caracteriza-se por ser dos poucos do segmento a disponibilizar mecânicas híbridas, para garantir o mesmo tipo de economia dos diesel, sem recorrer a unidades a gasóleo, e o único a oferecer versões com transmissão integral. A versão mais acessível do B-SUV nipónico monta um motor 1.5 VVTi de 125 cv, mas, à semelhança do que acontece noutros modelos da Toyota, não é esta a motorização preferida pelos seus clientes.

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A mecânica mais popular recorre ao motor 1.5 atmosférico, também utilizado no Yaris, uma unidade que não visa a potência mas sim o baixo consumo, ao funcionar segundo o ciclo Atkinson. Com 92 cv, este motor a gasolina é apoiado por uma unidade eléctrica com 80 cv, alimentada por uma bateria de iões de lítio, garantindo em conjunto 116 cv. Isto permite ao Yaris Cross atingir 170 km/h e os 100 km/h em 11,2 segundos, a mesma velocidade do Captur híbrido e 0,6 segundos a menos na capacidade de aceleração.

O trunfo desta mecânica híbrida é a sua capacidade de consumir pouco, para o que deita mão a uma caixa de velocidades destinada a manter o motor a gasolina na gama de rotações em que é mais eficiente. Sem mudanças “físicas”, a caixa recorre a um motor eléctrico para criar mudanças virtuais, que funcionam bem em ritmo de passeio, mas não numa utilização mais rápida.

Um gasolina com consumo de diesel

Conduzimos o Yaris Cross durante cerca de 200 km, o que nos permitiu concluir que, em estrada, a circular de forma calma e sempre abaixo do limite de 90 km/h, o B-SUV consegue um consumo médio de 3,6 l/100 km, o que lhe permite bater-se em custos de utilização com os motores a gasóleo.

Com a velocidade a subir e a uma média de 120 km/h em auto-estrada, o SUV da gama Yaris rodou facilmente a consumir 5,6 litros/100 km, um valor ao nível de uma unidade motriz a gasóleo, para depois se tornar menos amigo da carteira – e mais ruidoso – caso se comece a conduzir o Yaris Cross como se fosse um desportivo.

Curiosamente, é em cidade que o novo modelo da Toyota se revela mais competitivo, uma vez que consegue circular 80% do tempo apenas em modo eléctrico e sem recorrer ao motor a gasolina. Durante a nossa experiência, sempre que as ruas não eram a subir, o SUV circulava muitas vezes com o 1.5 de três cilindros desligado, para regressar à vida sempre que surgia uma subida, ou pressionávamos mais o acelerador em plano.

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Em estradas sinuosas, o facto de ter 17 cm de distância ao solo (mais 2,5 cm do que o Yaris utilitário), não prejudica muito o comportamento, tanto mais que as suspensões são um pouco mais secas do que o habitual nesta classe de veículos. Em percursos em terra, o Yaris Cross tem altura ao solo suficiente para evitar a maioria dos obstáculos, mas para digerir zonas de piso mais escorregadio o melhor é esperar por 2022, quando passar a estar disponível a versão AWD-i, que torna este pequeno SUV no único que oferece tracção integral. O sistema, que deverá aumentar o preço do modelo em cerca de 2700€, monta um segundo motor eléctrico no eixo traseiro, que só entra em funcionamento quando há perdas de tracção nas rodas anteriores, conseguindo colocar no eixo traseiro entre 0% e 60% do binário. Não é uma solução que permita disputar o Dakar, mas resolve os problemas de tracção para visitas a locais onde a lama ou a neve e gelo imperem.

21.790€ para o gasolina e 23.990€ para o híbrido

O novo Yaris Cross já está disponível no nosso mercado com seis níveis de equipamento, nomeadamente Comfort, Comfort Plus, Exclusive, Square Collection, Luxury e Premier Edition, com a versão mais acessível (Comfort) a ser proposta por 21.790€, isto para a motorização 1.5 VVTi com 125 cv. Este é um valor compatível com o praticado pelos Peugeot 2008 e Renault Captur de entrada de gama, de potência similar.

Para a versão Comfort com motor 1.5 Hybrid de 116 cv, que deverá ser o mais vendido, à semelhança do que já acontece no Yaris utilitário, a Toyota exige em troca 23.990€, um valor que o posiciona abaixo da concorrência com mecânicas a gasóleo e, segundo o configurador da Renault para o Captur E-Tech Híbrido 145, que só chegará ao nosso país mais tarde, o Toyota apresenta um preço inferior ao do seu rival directo da Renault.