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O Conselho de Ministros espanhol aprovou a declaração de catástrofe para a ilha de La Palma, nas Canárias, esta terça-feira, noticiou o jornal El Mundo. A declaração oficial de Zona Gravemente Afetada por uma Emergência de Proteção Civil vai obrigar todos os ministérios a envolverem-se na resposta e permitir enviar, nesta primeira fase, uma ajuda de 10,5 milhões de euros para a região autónoma. Como se esperava, a lava já chegou ao mar e cai de um penhasco a cerca de 100 metros acima da água.

A lava foi avançando progressivamente durante o dia e acabou por chegar esta noite (às 23h de Portugal) de terça ao mar, formando um percurso junto à praia de Los Guirres. O contacto da lava com o mar provocou a ebulição da água e a libertação de fumo negro alternando com fumo esbranquiçado.

As autoridades locais alertam para que a população se mantenha dentro de casa com janelas e portas encerradas, fechando qualquer entrada de ar do exterior.

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Está a ser gerado um depósito de 50 metros de altura no sopé da falésia com o acumular da lava que vai escorrendo, segundo o Grupo de Geociências Marinhas do Instituto Espanhol de Oceanografia.

As ajudas aprovadas para dar resposta à catástrofe

O valor das ajudas faz parte das ajudas de emergência anteriores à fase de reconstrução da ilha, que consistirá na reparação e restauro de danos em habitações, infraestruturas rodoviárias hidráulicas, explorações pecuárias, campos de cultivo, áreas florestais e equipamentos públicos. Desta ajuda inicial, 5,5 milhões de euros serão para comprar 107 moradias para os desalojados e os outros cinco milhões de euros para que as famílias possam adquirir bens essenciais.

A primeira centena das casas que serão adquiridas em regime de propriedade pelo Governo das Canárias estará disponível em princípios de outubro, e espera-se atingir as 300 no final do ano.

Até ao momento, mais de 700 habitações tinham sido danificadas, 1.500 estavam ameaçadas e mais de 20 quilómetros de via tinham sido destruídos, segundo o mapa criado pelo jornal El País. Na manhã desta terça-feira, já havia quase 260 hectares cobertos de lava e mais de 1.500 ocupados pelas cinzas expelidas.

A “Casa Esperança” de La Palma não resistiu e foi engolida pela lava

A chamada “Casa Esperança”, conhecida por ter sobrevivido intacta à passagem da lava, tendo sido cercada por paredes de rocha vulcânica, acabou por não resistir e foi esta terça-feira engolida pela lava expelida pelo vulcão.

O vulcão Cumbre Vieja, em La Palma, expeliu mais magma em sete dias do que a erupção de 1971 em 24 — cerca de 100 milhões de metros cúbicos de lava contra 46 milhões, segundo o jornal El País. Durante a manhã desta terça-feira, a lava mais fluída avançava rapidamente — cerca de 300 metros por hora — e estava a cerca de um quilómetro do mar.

No seu caminho em direção ao mar, a lava foi destruindo estufas e campos de cultivo, queimando fertilizantes e outros materiais combustíveis que lançam gases tóxicos na atmosfera.

O vulcão tem alternado entre uma fase explosiva, com lava projetada de forma violenta, assim como outros materiais, e alguns  períodos mais calmos, e uma fase efusiva, como agora, em que a lava escorre pelo cone do vulcão com relativa velocidade.

O que pode acontecer com a chegada da lava ao mar

Com a chegada da lava, com cerca de 1.000 ºC, ao mar serão produzidos gases, como vapor da água do mar que ferve, mas também gases tóxicos que podem colocar as populações mais próximas em risco.

Além disso, este contacto da lava com a água leva a uma arrefecimento rápido da rocha fundida, que vitrifica. Se ocorrem explosões, esta rocha vitrificada pode ser projetada no ar, quebrada em pedaço mais pequenos e cair como estilhaços nas áreas envolventes, alertou José Luis Barrera, vulcanólogo no Ilustre Colégio de Geólogos (ICOG), citado pelo jornal El Mundo.

Depois de alguns períodos de silêncio durante esta segunda-feira, o vulcão voltou a ribombar durante a noite. Está agora numa fase mais efusiva, na qual a lava, mais fluída, corre mais rapidamente e com uma nova escorrência, mais a norte, que surgiu durante a madrugada, conforme reportou o Instituto Geológico e Mineiro de Espanha.

As cinzas serão um novo problema para os habitantes da ilha assim que cheguem as chuvas. É que a quantidade de cinza acumulada nos telhados dos edifícios, uma vez molhada, fica tão pesada que pode fazer cair a estrutura alertou o porta-voz do Instituto Vulcanológico das Canárias (Involcan), David Calvo.

Em muitas das povoações evacuadas, há pessoal técnico encarregado de ir fazendo a limpeza das cinzas acumuladas sobre as habitações e estradas para garantir que as vias se mantém desimpedidas caso seja necessário evacuar as povoações.

Agricultura afetada e pesca em risco

De acordo com a ABC, o Governo está a avaliar as consequências da erupção de La Palma na atividade pesqueira e na própria reserva marinha de La Palma, numa altura em que a lava se encaminha para o mar. Alicia Villauriz, secretária-geral das Pescas, diz que a sua tutela está a analisar a questão para que possam ser criadas medidas para a recuperação de zonas afetadas no âmbito do programa de ajudas aprovado esta terça-feira, demonstrando a sua solidariedade com os pescadores de Tazacorte.

Também esta terça, o governo das Canárias deu conta de que na última semana ficaram por colher mais de um milhões de bananas, devido aos efeitos adversos da lava e das cinzas provocadas pela erupção. O Ministro da Agricultura, Pescas e Alimentação, Luis Planas, reafirmou que o governo central “está do lado do setor da banana” de La Palma devido à situação difícil que atravessa.

O Ministro da Agricultura, Pescas e Alimentação, Luis Planas, reafirmou que o governo central “está do lado do setor da banana” de La Palma devido à situação difícil que atravessa. Planas diz ainda que fará “o que for necessário tanto para reparar os danos que foram causados” através de indemnizações, como “para a produção que não pode chegar ao mercado”.

Um vídeo captado por um drone da Unidade Militar de Emergências (UME) durante a manhã desta terça-feira em mostra a destruição provocada pelo Cumbre Vieja:

Como a lava continuava a correr em direção ao mar, o Plano de Emergências Vulcânicas das Canárias (Pevolva) decidiu manter a evacuação de quatro bairros em Todoque, decretada no domingo, e muitos núcleos populacionais continuam confinados em casa devido ao risco de inalação dos gases tóxicos libertados no momento em que a lava chega ao mar.

Segundo o ABC, 5.600 pessoas foram retiradas e 300 encontram-se confinadas, depois de os habitantes de Tacande de Arriba, Abajo e Tajuya terem regressado às suas casas.

Esta terça-feira voltaram a registar-se dois sismos no município de Fuencaliente, a sul da ilha, na mesma área onde no dia anterior tinham sido registados mais de 20, levantando as suspeitas de que o magma se estaria a deslocar por baixo da superfície.

Companhia aérea das Canárias mantém voos suspensos. Qualidade do ar permanece boa

A companhia aérea das Canárias, a Binter, decidiu manter os voos para La Palma suspensos devido à presença de cinza no ar. Inicialmente, a Binter tinha decidido manter a suspensão até às 13h desta terça-feira (a mesma hora em Lisboa), informando que iria acompanhar de perto a situação e avaliar quando seria possível retomar as operações com segurança.

Pelas 14h30, a companhia comunicou a decisão de manter a suspensão com base com informações recolhidas junto do Centro de Avisos de Cinzas Vulcânicas de Toulouse e do instituto de meteorologia espanhol.

Segundo a Agência Estatal de Meteorologia (Aemet), a nuvem de cinzas e dióxido de enxofre poderá afetar o tráfego aéreo, durante o dia de quarta-feira, entre La Palma, Tenerife e La Gomera.

Apesar da presença de cinza no ar, a qualidade do ar permanece boa, havendo maior concentração de partículas na zona de influência do vulcão, disse ao El País o diretor técnico do Plano de Emergência Vulcânicas das Canárias. Também a água continua de boa qualidade.

A coluna de fumo sobe alta na atmosfera e estima-se que a coluna de dióxido de enxofre expelida pelo vulcão chegue esta terça-feira a Svalbard, o arquipélago norueguês situado no oceano Ártico.

Última atualização às 00h35