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Está desfeito o tabu. Rui Rio vai ser recandidato à liderança do PSD. O anúncio foi feito esta tarde num comunicado enviado à imprensa assinado pelo seu vice-presidente e diretor de campanha, Salvador Malheiro.

“Depois de uma reflexão aprofundada sobre a situação política do país e atendendo aos recentes resultados das últimas eleições autárquicas e da incompreensível instabilidade e divisões internas, entretanto geradas no PSD, o presidente Rui Rio, decidiu recandidatar-se à liderança do Partido Social Democrata, cujas eleições foram recentemente marcadas pelo Conselho Nacional para o próximo dia 4 de dezembro”, pode ler-se.

“Com esta sua decisão, tomada no devido tempo, de forma serena e responsável, e sem qualquer preocupação de ordem tática, Rui Rio entende, como sempre tem entendido ao longo da sua vida pública, que o interesse de Portugal tem de estar acima daquilo que possa ser a tranquilidade da sua própria vida pessoal”, continua Salvador Malheiro.

“Apesar dos êxitos políticos que o PSD conseguiu, quer no continente, quer nas Regiões Autónomas, e depois das múltiplas e desnecessárias dificuldades que, para tal, teve de ultrapassar, é compreensível a tentação de não continuar. Mas, tal como sempre, Rui Rio não é homem para desistir de lutar pelo PSD e, acima de tudo, por Portugal.”

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De resto, os sinais dessa recandidatura começaram a ganhar força ao início do dia. “Dos fracos não reza a história”, dizia esta manhã fonte próxima de Rui Rio. A confirmação viria mais tarde, primeiro pelo jornal Púbico e depois pelo Observador e demais órgãos de comunicação social.

O líder social-democrata avança assim mesmo sabendo que Paulo Rangel pode ter uma vantagem teórica junto das estruturas partidárias. É a terceira vez que Rui Rio se candidata à liderança do PSD, depois de ter batido Pedro Santana Lopes e Luís Montenegro. As diretas estão marcadas para 4 de dezembro.

Rui Rio quebra assim o tabu, cinco dias depois de ter sido formalmente desafiado por Paulo Rangel num Conselho Nacional onde sofreu a sua primeira derrota interna enquanto líder social-democrata.

O presidente do PSD levou a votos a proposta de adiar as eleições para depois da aprovação ou não do Orçamento do Estado, sob o argumento de que o PSD não poderia estar a discutir as eleições internas com uma crise de governabilidade no horizonte. A maioria dos conselheiros nacionais (71-40) entendeu que não e chumbou a proposta de Rio.

O resultado acabou por deixar a própria direção social-democrata em choque, como contava o Observador na sexta-feira. O anúncio da decisão surge depois da reunião da comissão permanente do PSD, o órgão de direção mais restrita de Rui Rio. O Observador sabe que o líder social-democrata recebeu muitos incentivos para avançar e acabou por anunciar isso mesmo esta tarde.