O secretário de Defesa norte-americano, Lloyd Austin, informou esta sexta-feira os seus aliados da NATO sobre os planos de revisão do arsenal nuclear dos EUA.

Austin “informou” e “consultou” os aliados sobre essa revisão durante uma reunião de ministros da defesa da NATO, num gesto apreciado pelos aliados, como explicou o secretário-geral da organização, Jens Stoltenberg, numa conferência de imprensa no final da reunião.

No grupo de planeamento nuclear lidamos com muitas questões. Este formato é importante, pois mostra que a NATO é a plataforma na qual os aliados podem falar sobre estes assuntos”, explicou Stoltenberg.

Este grupo de planeamento, que inclui todos os aliados menos a França, que preferiu não fazer parte, reuniu-se esta sexta-feira por ocasião da reunião ministerial.

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“A revisão da política nuclear norte-americana é importante para os Estados Unidos, mas também para todos os aliados, para toda a Aliança”, disse Stoltenberg, que acrescentou: “É precisamente por isso que precisamos fazer consultas, desenvolver posições comuns e falar a uma só voz”.

“O que importa é que continuemos juntos e unidos em todos os assuntos, mas principalmente no nuclear”, acrescentou o secretário-geral da NATO.

Em abril passado, o Governo do Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, expressou a intenção de modernizar o arsenal nuclear do país, para que seja seguro e eficaz.

Durante a gestão do ex-Presidente Donald Trump (2017-2021), o Pentágono recomendou gastar mais de 6% do seu orçamento na chamada Tríade Nuclear – composta por bombardeiros estratégicos, submarinos e mísseis balísticos intercontinentais, muitos dos quais já tinham décadas de existência — e fortalecer e renovar o arsenal atual sem ter de recorrer à sua ampliação.

O Governo de Joe Biden vai realizar uma revisão abrangente da postura nuclear do país e examinar os planos para modernizar o arsenal.

“O nosso ambiente de segurança continua a deteriorar-se. Portanto, as nossas consultas são essenciais para garantir que a NATO continua a ser uma aliança nuclear credível enquanto existirem armas nucleares, para preservar a paz, prevenir a coerção e dissuadir a agressão”, explicou Stoltenberg.

O secretário-geral da NATO declarou ainda que “a componente nuclear é importante para todos os aliados, especialmente para os europeus”, e que embora o objetivo da organização seja conseguir “um mundo sem armas nucleares”, desde que existam outros países que as possuam, como Rússia, China ou Coreia do Norte, “continuaremos a ser uma aliança nuclear” para tornar o mundo “mais seguro”.