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*Em atualização.

É o sexto unicórnio (empresa avaliada em mais de mil milhões de dólares, cerca de 886 milhões de euros) com ADN português. A startup de fisioterapia digital criada e liderada por Virgílio Bento foi avaliada em dois mil milhões de dólares (cerca 1,7 mil milhões de euros) após ter fechado uma ronda de investimento de 189 milhões de dólares (aproximadamente 167,6 milhões de euros).

Em comunicado, a Sword Health, que tem oficialmente sede em Nova Iorque (EUA), mas afirma continuar a ter a “sede tecnológica no Porto”, diz que é a “startup portuguesa mais rápida a atingir o estatuto de unicórnio”.

A Sword Health foi fundada em 2015 e está por detrás de uma plataforma digital para tratar patologias músculo-esqueléticas, que combina inteligência artificial com sensores de última geração. De acordo com a startup, o investimento angariado vai permitir “acelerar o tratamento destas patologias através do desenvolvimento de novas terapias digitais, desde a prevenção até aos cuidados pós-cirurgia”. Além disso, a empresa conta “acelerar a expansão local e global” e recrutar 300 funcionários durante os próximos meses.

O financiamento anunciado esta segunda-feira surge depois de a Sword Health ter fechado uma ronda série B de 25 milhões de dólares (cerca de 22,1 milhões de euros) em janeiro deste ano, e depois de ter fechado 85 (aproximadamente 75,3 milhões de euros) numa ronda Série C feita em junho. Até hoje, a empresa diz já ter recebido “mais de 320 milhões de dólares (cerca de 283,8 milhões de euros) nas várias rondas de investimento”.

Sword Health. Startup de fisioterapia digital fecha novo investimento de 85 milhões de dólares

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A ronda de financiamento foi liderada pela Sapphire Ventures com a participação dos novos investidores Sozo Ventures, Willoughby Capital, ADQ, LocalGlobe, e dos investidores atauis, “incluindo a General Catalyst, Khosla Ventures, Founders Fund, Bond, Transformation Capital e Green Innovations”, especifica a empresa.

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“Criei a Sword depois de uma experiência pessoal traumática”

Na nota enviada à imprensa, o fundador da empresa relembra como é que criou a startup: “Criei a Sword depois de uma experiência pessoal traumática onde vi e vivi os desafios que as famílias enfrentam quando têm de garantir a recuperação física de um familiar”.

Em 1994, como conta a empresa em comunicado, o irmão do empreendedor foi atropelado numa passadeira e ficou num coma que durou doze meses. “Foi necessário recorrer ao melhor centro de reabilitação em Cuba onde cada paciente tinha um fisioterapeuta totalmente dedicado”, é referido. Por isso, Virgílio dedicou também os estudos para minimizar os danos nestas situações.

SWORD: um novo sistema de reabilitação para doentes com AVC

Em 2015, o empreendedor já contava parte desta história ao Observador, quando explicou também que “há cada vez maior procura de serviços de neurorreabilitação. A empresa acaba assim por nascer nos laboratórios da Universidade de Aveiro, na sequência da tese de doutoramento de Virgílio Bento, que é formado em engenharia eletrónica.

Tem sido verdadeiramente gratificante ver o impacto que a SWORD está a ter em milhares de pessoas em todo o mundo. Com esta nova ronda de financiamento, vamos acelerar a criação de valor para os nossos clientes, à medida que continuamos a construir a principal solução digital para tratamento de patologias músculo-esqueléticas no mundo dos cuidados de saúde, disponível em qualquer lugar e para todos”, diz o fundador.

Atualmente, e como refere a empresa, “três em cada quatro instituições que avaliam as soluções músculo-esqueléticas do mercado escolhem a Sword Health”. Porquê? “100% dos seus serviços são prestados por fisioterapeutas, um dispositivo listado pela FDA [reguladora norte-americana para medicamentos] que fornece dados clínicos aos fisioterapeutas para personalizar a recuperação, e validação por terceiros tanto para resultados clínicos como para redução de custos”, refere a startup.

As outras startups com estatuto de unicórnio e com ADN português são: a Farfetch, a OutSystems, a Talkdesk, a Feedzai (a única com sede em Portugal) e a Remote.