Portugal “usou a crise [que levou à chamada da troika] para promover mudanças” que permitiram um “crescimento económico muito mais robusto após a crise do que antes”, afirma Poul Thomsen, o antigo chefe da missão do FMI no País. Em entrevista por e-mail ao Jornal de Negócios, Thomsen diz que os portugueses se “uniram em prol do interesse nacional” e os partidos colocaram de lado as “escaramuças do dia a dia”, o que contrasta com aquilo que aconteceu na Grécia.

“No geral, considero o programa português um sucesso”, diz Poul Thomsen – “é claro que há muitos problemas não resolvidos mas isso é como em qualquer outro lugar”. Olhando para trás, o ex-chefe da missão do FMI recorda que “no geral, os altos funcionários do Ministério das Finanças e do Banco de Portugal, bem como especialistas de fora do Governo, tinham um conhecimento profundo das questões e do que precisava de ser feito”.

A troika não disse aos seus interlocutores portugueses muito que eles não soubessem”, afirma Poul Thomsen.

Na opinião do responsável, hoje professor na London School of Economics (LSE), “o aspeto mais importante do programa português foi o facto de ter um amplo apoio político”. “Eu liderei as negociações com a Grécia e vi como as lutas políticas internas e a falta de amplo apoio político em relação ao programa fizeram com que ele fracassasse”.

“Portugal deve orgulhar-se do facto de os principais partidos se terem unido no apoio ao programa num momento de crise extrema”, elogia o responsável.

Poul Thomsen discorda de muitas das críticas à Troika

O ex-chefe da missão do FMI em Portugal, Poul Thomsen, disse à Lusa que não concorda com muitas das críticas feitas ao programa de ajustamento económico e financeiro implementado pela troika.

“Na verdade, não concordo com muitas críticas. Havia alguns argumentos de que o multiplicador orçamental era irreal. Não tenho a certeza disso. Houve algumas críticas de que não prevíamos todos os problemas do sistema bancário e também não concordo com isso”, disse Poul Thomsen à Lusa.

O economista dinamarquês está esta sexta-feira em Lisboa, onde falou no 2021 Fórum Financeiro Outlook, que decorre na Culturgest.

O ex-membro da troika, que implementou o Programa de Assistência Económica e Financeira, considerou que o programa português “teve sucesso”, e que na altura a Comissão Europeia, o Banco Central Europeu e o FMI trabalharam com a informação de que dispunham.

“Na altura, baseámos a nossa decisão nas informações de que dispúnhamos. Portanto, penso que, se olharmos para o programa, penso mesmo que fez com que Portugal lidasse com alguns dos seus problemas estruturais. Não todos, nunca é assim, mas foi um programa que restaurou a confiança na capacidade de Portugal para lidar com o seu problema”, disse à Lusa.

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