A Alpine tem no A110 o seu único modelo desde que a marca “renasceu” em 2016, por decisão do Grupo Renault. O coupé de tracção traseira fez furor no Salão de Genebra de 2017, onde fez a sua estreia aos olhos do público, e desde então a marca francesa tem capitalizado esse interesse com diferentes versões do seu desportivo de dois lugares. A mais recente foi apresentada no Japão e mantém o motor 1.8 sobrealimentado com 300 cv, mas é alvo de uma série de alterações na carroçaria e no chassi, de forma a fazer deste A110 o mais radical de sempre. E daí o “R” na denominação da nova versão que, ao que o Observador apurou, vai chegar a Portugal em Abril. Claramente para fazer frente ao Porsche 718 Cayman GTS de 400 cv, o rival com a relação peso/potência mais próxima do novo Alpine (3,77 kg/cv contra 3,85 kg/cv).

Perseguindo uma estética em consonância com um desempenho aprimorado em circuito, o novo A110 R parece um carro de competição e foi precisamente esse o fito da Alpine. Com esta versão mais extrema, o construtor quer entrar na corrida dos modelos que conseguem ser entusiasmantes em pista e, simultaneamente, civilizados para poderem circular na via pública. A receita para tal salta à vista, com uma enorme asa traseira configurada de forma distinta do A110 S, para ter um ângulo de ataque inferior. Atrás, destaque ainda para o novo difusor de dimensões mais generosas, para optimizar o fluxo de ar. A frente recebe um novo capot e um novo pára-choques, enquanto as saias laterais parecem mais proeminentes. A tudo isto, e a uma série de outras alterações para incrementar a aerodinâmica, há que juntar um intenso recurso a materiais mais leves, como fibra de carbono e fibra de vidro. O resultado deste trabalho é confirmado sobre a balança, com a A110 R a conseguir ser 34 kg mais ligeiro que o A110 S e com uma gorda vantagem de 353 kg sobre o 718 Cayman GTS.

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Pesando somente 1082 kg, o coupé desportivo persegue o equilíbrio entre downforce e arrasto, para maximizar o desempenho em pista, com as modificações introduzidas a saldarem-se num aumento da carga no eixo posterior de 29 kg à velocidade máxima e uma redução do arrasto em 5%. Os 0-100 km/h ficam para trás ao fim de 3,9 segundos, para depois o A110 poder continuar a acelerar até atingir 285 km/h, a velocidade de ponta.

Para a “atitude de pista” contribuem também as alterações efectuadas a nível do chassi, em particular na suspensão. A distância ao solo baixa 10 mm face ao A110 S, com o R a receber molas mais duras e amortecedores ajustáveis em 20 posições para fazer variar a relação compressão/expansão, além de barras estabilizadoras 10% mais rígidas na frente e 25% atrás, de novo em comparação com o A110 S.

Saído de fábrica com pneus semi-slick Michelin Pilot Sport Cup 2 (215/40 R18 à frente e 245/40 R18 atrás), o A110 R consegue tirar proveito desta borracha especialmente em pista, ganhando 0,5 segundos por km face aos pneumáticos convencionais, cortesia sobretudo da estrutura reforçada e de 15% mais de aderência. Chegada a hora de travar, a Alpine continua a confiar no sistema da Brembo, mas afirma que conseguiu canalizar melhor o ar para os discos de travão, com um ganho de 20% na refrigeração.

Quanto ao interior, como não poderia deixar de ser, oferece a típica atmosfera do mundo das corridas. Uma vez a bordo, há microfibra por todo o lado – inclusivamente no revestimento do volante e nos painéis das portas – e evidenciam-se os tirantes vermelhos para abrir as portas. Os bancos tipo baquet são da Sabelt e estão equipados com arneses de competição de seis pontos. Na consola, uma placa com a silhueta do coupé não deixa dúvidas de que estamos perante o mais radical dos A110. Se dúvidas existirem, nada como ligar a ignição, pois o escape e a insonorização do motor foram modificados para tornar mais presente e inebriante o trabalhar do 1.8 com 300 cv.

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