No dia em que Marcelo Rebelo de Sousa comemora sete anos de mandato como Presidente da República, que será assinalado esta noite com uma entrevista à RTP e ao Público, Luís Montenegro mantém a regra que definiu para si mesmo e que quer que o PSD siga à risca: sempre que o assunto é o Chefe de Estado, a ordem é para meter gelo nos pulso e fugir às polémicas.

Em declarações aos jornalistas, à margem de uma ação partidária na Madeira, o líder social-democrata foi desafiado a dizer se espera ou não que a entrevista que será emitida esta quinta-feira venha pautada por um ou outro puxão de orelhas. Na resposta, Montenegro driblou a pergunta e chutou em frente. “O PSD e o seu líder fazem o seu trabalho e o senhor Presidente da República faz o seu”, cortou.

A relação entre a direção do PSD e o Presidente da República está longe de ser a mais feliz, apesar de todas as declarações públicas em sentido contrário. Em vários momentos desta coabitação que já leva mais de um ano, as intervenções de Marcelo irritaram e de que maneira os sociais-democratas. Das sucessivas referências a Pedro Passos Coelho, às críticas às propostas para a imigração do PSD, passando pela defesa de António Costa e do Governo socialista, há quem no núcleo duro do partido entenda que Marcelo já “roça o non sense total“.

Mais recentemente, de resto, Marcelo voltou a condicionar a agenda política e mediática com novos elogios a Pedro Passos Coelho e a referências a um eventual regresso. No PSD, a atitude dominante é a resignação: nem o partido faz tenções de controlar o que o Presidente da República diz e transpira para a comunicação social, nem há nada que possa fazer para esvaziar a conversa sobre um eventual regresso do antigo primeiro-ministro à liderança do PSD. É seguir em frente.

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Por isso, a ideia da direção do PSD é não entrar em choque frontal com Marcelo Rebelo de Sousa porque se entende que alimentar qualquer guerra (pública ou privada) com o Presidente da República só criará ruído. Entre os mais destacados dirigentes do PSD, de resto, qualquer bate boca só servirá para desviar as atenções, alimentar o lado mais palaciano da política e evitar que o Governo seja chamado a prestar contas, tornando também muito mais difícil ao partido marcar a agenda mediática e política com propostas concretas.

Ora, esta quinta-feira, Montenegro não fugiu ao guião autoimposto. Antecipando o que poderá ser uma entrevista sensível para o PSD — atendendo aos vários recados que Marcelo vem deixando há meses –, o líder social-democrata fez questão de dizer que votou “duas vezes, sem hesitação,” no atual Chefe de Estado e que não está “minimamente arrependido“. “Acho que tem sido um bom Presidente da República, ainda que nem sempre concorde com ele”, assumiu.

Quanto a possíveis críticas ou reparos, o presidente do PSD sugeriu que Marcelo é apenas “mais um” dos portugueses que tem de convencer e que não espera nada mais do Presidente da República do que a normal relação institucional entre Chefe de Estado e líder do maior partido da oposição. Quanto ao mais, insistiu Montenegro, a afirmação política do PSD e a vitória nas próximas legislativas “só depende” do trabalho do partido. “Não estou à espera de mais ninguém”, rematou.

Montenegro não compra guerra com Marcelo