Quem esperava um grande espetáculo na chegada à Laguna Negra ficou desiludido. Entre os homens da geral não houve movimentações relevantes que trouxessem novidades no top 10. Ainda que esta quinta-feira a etapa fosse propícia a uma chegada ao sprint, aproxima-se o Tourmalet, onde a Volta a Espanha se pode decidir, e ninguém quis arriscar não ter as pernas frescas para a etapa rainha.

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Na etapa 12, entre Ólvega e Saragoça, o traçado era maioritariamente plano (quando não a descer). Os favoritos à vitória final tinham apenas uma missão para cumprir: ficarem fora de problemas, que é como quem diz, manterem-se em cima da bicicleta sem irem ao chão e esmurrarem alguma parte do corpo já muito fatigado por quase duas semanas de Vuelta.

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No final da etapa anterior, Remco Evenepoel, vencedor da última edição, não quis assumir a responsabilidade de ser proativo em todas as chegadas em alto. “Não vou atacar em todas as subidas e em todas as oportunidades. A Jumbo-Visma tem três homens entre os oito primeiros. Eles estão lá em cima e têm todas as cartas nas nossas mãos”, referiu o belga, confirmando que a Soudal-QuickStep não tem as melhores armas para o ajudar a revalidar o título. “Não depende de nós. Ainda há muitas oportunidades por vir. A Jumbo-Visma tem uma equipa super forte para as altas montanhas, então vai ser mais complicado segui-los do que atacar”.

No entanto, não era dia para as equipas dos favoritos trabalharem no pelotão. Nesse sentido, a Alpecin-Deceuninck foi quem mais se viu na frente do grupo principal numa demonstração clara de que iam tentar dar o triunfo a Kaden Groves, australiano que já conquistou duas vitórias na Vuelta e que é o líder da classificação por pontos. Era preciso uma dose elevada de coragem para acreditar que uma fuga pudesse vingar. Ainda assim, Jetse Bol (Burgos-BH) e Abel Balderstone (Caja Rural-Seguros RGA) aventuraram-se, distanciando-se cerca de dois minutos.

As últimas chegadas ao sprint foram bastante acidentadas com quedas na luta pela melhor trajetória. Kaden Groves afastou a possibilidade desse cenário se voltar a verificar. “É estranho [só ter uma chegada ao sprint esta semana]. Isso significa que é ainda mais importante fazer valer o dia de hoje”, começou por dizer. “Vai haver algum stress [na chegada], mas não espero que existam muitos acidentes. É um final em reta em Saragoça”.

A presença de Jetse Bol no grupo da frente tinha sido praticamente anunciada. “Temos que estar na fuga e assim estaremos na luta [pela etapa]. Temos que nos mostrar. Além disso, os próximos três dias serão difíceis para nós, temos que conseguir o melhor possível hoje”, referiu antes da corrida começar. Nos parênteses da tranquilidade, Rudy Molard (Groupama-FDJ), Louis Vervaeke (Soudal Quick-Step), Samuele Battistella (Astana Qazaqstan) e Omar Fraile (Ineos Grenadiers) envolveram-se num acidente que não afetou nenhum dos homens da geral.

A etapa era tão pouco interessante para os melhores corredores que Jonas Vingegaard (Jumbo-Visma) dedicou alguns períodos a fazer de aguadeiro. Aos 60 quilómetros, a fuga estava a apenas um minuto do pelotão. Progressivamente, a UAE Team Emirates começou a aparecer para garantir que Sebastián Molano tinha uma boa colocação para tentar dar a primeira vitória à equipa. “Estou pronto, determinado e completamente motivado. Estou realmente ansioso. Já houve várias etapas de sprint e não consegui [vencer], mas hoje vou dar tudo de mim”, disse o colombiano. “Acho que o mais importante é estar com o Rui Oliveira no final e poder fazer o meu sprint e fazer os meus números. Eu sei que com isso posso vencer hoje.

A cerca de 40 quilómetros, a fuga foi anulada. Inesperadamente, Jetse Bol  voltou a atacar sozinho e de novo sem sucesso. Aproximava-se o sprint intermédio que, além dos pontos para a camisola verde, também continha bonificações. Por isso, Primoz Roglic seguiu a roda de Kaden Groves para garantir quatro segundos extra. Nos metros finais, Kaden Groves ficou bloqueado. Rui Oliveira lançou na perfeição Sebastián Molano e o colombiano conseguiu a vitória. O português terminou em quarto lugar.

Como seria de esperar, Sepp Kuss manteve a camisola vermelha. Em relação aos restantes candidatos, também não houve mudanças. João Almeida (UAE Team Emirates) permanece em sexto lugar a +2.16 do primeiro lugar. À frente do português está ainda Marc Soler (UAE Team Emirates), Remco Evenepoel, Primoz Roglic (Jumbo-Visma) e Lenny Martinez (Groupama-FDJ). Jonas Vingegaard, Juan Ayuso (UAE Team Emirates), Enric Mas (Movistar) e Aleksandr Vlasov (BORA-hansgrohe) fecham o top 10.