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Começou por ser palavra de ordem à frente da sede do PSOE em Ferraz, mas não tardou para que a frase “Pedro Sánchez para a prisão” dominasse diversas cidades espanholas. Em Madrid, Sevilha, Barcelona, Pamplona, Oviedo e Valladolid, milhares de manifestantes fizeram-se ouvir nos gritos contra a amnistia, apontando que “Puigdemont nunca pagou pelos seus crimes”. As manifestações foram convocadas nas redes sociais por uma organização designada Revolta, que se define como um grupo juvenil “patriota unitário espanhol” e tem ligações ao partido de extrema-direita Vox.

Segundo a delegação do governo de Madrid, citado pelo ABC, cerca de 3.800 pessoas ergueram cartazes contra a lei que quer ilibar os envolvidos na tentativa de autodeterminação da Catalunha em 2017, em frente à sede do PSOE. “Vamos parar com a traição” foi das frases mais ecoadas pelos manifestantes, referindo-se às negociações entre o partido do primeiro-ministro espanhol e os partidos independentistas catalães para formar governo. Dirigentes do Vox, incluindo o presidente do partido, Santiago Abascal, estiveram nesta concentração em Madrid.

Dezenas de milhares protestam em Barcelona contra lei de amnistia

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O eurodeputado e vice-presidente do partido, Jorge Buxadé, acusou o ministro do Interior de Espanha, Fernando Grande-Marlaska, de ser o “responsável” por estas ações “tão desproporcionais”. “Não podem tolerar a manifestação pacífica do povo espanhol. Famílias, jovens, idosos. O povo de pé”, disse, numa publicação no X, antigo Twitter.

Esta manifestação gerou alguns momentos de tensão, com alguns dos presentes a tentarem derrubar os agentes da polícia e forçar a barreira. Pouco depois, segundo o El Mundo, por volta das 21h30 a polícia espanhola dispersou a multidão com gás lacrimogéneo. Esta mobilização levou à detenção inicial de uma pessoa, tendo depois a polícia prendido mais dois manifestantes.

Cerca de 30 minutos depois de a polícia ter dispersado a multidão, o primeiro-ministro condenou os protestos, dizendo que “atacar a sede do PSOE é atacar a democracia e todos os que nela acreditam”.

“No entanto, mais de 140 anos de história lembram-nos que ninguém, jamais, será capaz de intimidar o PSOE”, escreveu no X, antigo Twitter, mostrando ainda “todo o amor e apoio à militância socialista que está a sofrer com o assédio dos reacionários nas casas do povo”.

Estes protestos surgiram depois de Alberto Núñez Feijóo ter considerado que o PSOE, liderado por Pedro Sánchez, acordou “uma aberração” com os independentistas catalães para ser reconduzido primeiro-ministro e prometeu contestação por parte do PP “com todos os recursos, em todas as instâncias e em todos os âmbitos”, incluindo nas ruas.

Feijóo afirmou que Espanha vive “o maior ataque ao estado de direito” da sua história democrática e anunciou manifestações em todas as capitais de província no próximo domingo.

Aviso que não nos vamos calar. (…) Querem que nos esqueçamos, mas vamos lembrá-lo todos os dias”, afirmou o líder do PP, o partido mais votado nas eleições espanholas de 23 de julho, mas sem uma maioria suficiente para conseguir a viabilização parlamentar de um governo liderado por Feijóo.

O PSOE foi o segundo partido mais votado e o socialista Pedro Sánchez está a fechar acordos com partidos nacionalistas e independentistas catalães, bascos e galegos que lhe permitirão, se se confirmarem todos, ser reconduzido como líder do Governo de Espanha.

O líder do PP voltou esta segunda-feira a defender a repetição das eleições, por o teor dos acordos não ter feito parte do programa eleitoral dos socialistas e por Sánchez ter negado até 23 de julho a possibilidade de uma amnistia para os independentistas que protagonizaram uma declaração unilateral de independência da Catalunha em 2017.

Feijóo reiterou ainda as críticas ao perdão de parte da dívida da Catalunha ao estado espanhol, que também está nos acordos do PSOE com os partidos separatistas. Sánchez “é capaz de qualquer coisa pelo poder” e compra votos “com a indignidade do povo espanhol e os impostos de todos os cidadãos”, afirmou Feijóo.

O PSOE acordou na semana passada com o partido Esquerda Republicana da Catalunha (ERC) uma amnistia e o perdão de até 20% do total da dívida da região autónoma ao estado, cerca de 15 mil milhões de euros.

Os socialistas asseguraram que este perdão de dívida será extensível a todas as regiões autónomas do país.

A Catalunha é a região com maior dívida e os 15 mil milhões que vão ver perdoados é um valor superior, em alguns casos até várias vezes superior, à dívida total de qualquer uma das outras comunidades autónomas, realçou no sábado passado Alberto Núñez Feijóo.

Se até 27 de novembro não houver novo primeiro-ministro investido pelo parlamento, Espanha terá de repetir as eleições.

Até agora, o PSOE fechou acordos com a ERC e o Bloco Nacionalista Galego e o partido basco EH Bildu já confirmou que vai votar a favor da recondução de Sánchez como primeiro-ministro.

Sánchez precisa ainda dos votos de mais dois partidos, com quem continua a negociar, o Juntos pela Catalunha e o Partido Nacionalista Basco.

*Notícia atualizada às 00h15 com informação relativa à detenção de mais dois manifestantes e reação do vice-presidente do Vox