A Itália oficializou a sua saída da “Nova Rota da Seda”, acordo económico assinado com a China em 2019, tendo sido o único país do G7 a ter aderido.

A primeira-ministra italiana já tinha informado o seu homólogo chinês, Li Keqiang, da sua decisão de abandonar o acordo durante a cimeira do G20 em Nova Deli, em setembro. Segundo fontes conhecedoras do acordo, a saída oficial ocorreu há alguns dias, com uma nota entregue a Pequim, enquanto o Governo italiano se recusou a divulgar um comunicado oficial.

Membros do Governo têm realizado várias reuniões na China, nas quais informaram os seus interlocutores da intenção do Governo de Meloni, de manter a parceria estratégica entre os dois países, iniciando também medidas preparatórias para a visita do Presidente Sergio Mattarella à China, prevista para 2024.

Desde que chegou ao poder, em 2022, foi divulgado que Meloni deixaria de fazer parte deste acordo, considerado como uma das bases fundamentais do plano do gigante asiático para reforçar a sua economia através de uma rede de infraestruturas entre três continentes.

De acordo com o jornal Corriere della Será, o Governo chinês insistiu numa anulação formal, embora apenas fosse necessário não renovar o acordo, que expirava ao fim de quatro anos, terminando em 2023.

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O acordo com a Itália foi assinado pelo primeiro governo de Giuseppe Conte, apoiado pelo Movimento 5 Estrelas e pela Liga, que estava empenhado em tentar transformar a Itália numa “ponte” entre o Ocidente e a China, colocando-se numa posição privilegiada para tirar partido do enorme potencial do mercado chinês.

Na altura, foi anunciado um acordo que prometia parcerias no valor de 20 mil milhões de euros, mas que não produziu “quase nada”, segundo o jornal.

A assinatura do acordo preocupou os Estados Unidos, a União Europeia e outros países ocidentais que consideram a Nova Rota da Seda uma tentativa da China de aumentar a sua influência económica e política no mundo.