Os primeiros três meses de 2024 foram madrastos para a Tesla, que registou o pior trimestre dos últimos tempos. Apesar de os resultados poderem ser considerados bons em termos absolutos, sobretudo quando comparados com a rival chinesa BYD, com quem a Tesla disputa a primazia global enquanto fabricante de veículos eléctricos, as 433.371 unidades produzidas e as 386.810 transaccionadas representam uma quebra de 8,5% nas vendas e de 1,7% na produção, face ao período homólogo do ano anterior.



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Este primeiro trimestre de 2024 é mau face a igual período de 2023, mas é muito mau em comparação com o 4.º trimestre de 2023, período em que a Tesla registou novo recorde ao fabricar 494.777 veículos e vender 484.507. Isto significa que, de Janeiro a Março de 2024, as vendas do construtor norte-americano caíram 20,2% em relação aos derradeiros três meses de 2023, sendo que a produção também diminuiu no mesmo período, mas somente 14,5%.

A Tesla justifica parcialmente esta quebra pelo facto de, neste trimestre, ter alterado a linha de produção em Fremont, na Califórnia, cuja fabricação teve de ser interrompida para que se procedesse às adaptações associadas ao restyling do Model 3, que só agora chegou aos EUA. O construtor refere ainda as complicações decorrentes do episódio de fogo posto na fábrica de Berlim, bem como as demoras motivadas pelos ataques a navios no Mar Vermelho, o que segundo os analistas explica apenas parcialmente os maus resultados, tudo indicando que a quebra na venda de eléctricos da Tesla se fica igualmente a dever ao incremento da concorrência, bem como a uma redução da procura, que afectou igualmente outros construtores.

Curiosa é também a discrepância nos dados entre os veículos produzidos e os vendidos, que no primeiro trimestre de 2024 atingiram 46.561 unidades, um valor muito mais elevado do que o habitual. Basta compará-lo com os 10.270 veículos fabricados que ficaram por vender no 4.º trimestre de 2023, ou os 17.933 referentes ao 1.º trimestre de 2023, o que pode significar uma redução na procura, mas que também se encaixa na explicação avançada pela Tesla, que atribui esta diferença maior do que o habitual sobretudo aos ataques aos cargueiros dos Houthis no Iémen, que provocam atrasos e o alargar das rotas comerciais dos navios de transporte da China para a Europa, que assim demoram mais tempo a chegar ao destino.

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