O Chile agraciou a Brigada Victor Jara por ocasião do 50.º aniversário do golpe militar que derrubou o governo democrático de Salvador Allende, em 1973, e impôs a ditadura de Pinochet.

O violinista Manuel Rocha conta à agência Lusa que a Brigada foi surpreendida por um convite da embaixadora Marina Teitelboim para uma receção na representação diplomática do Chile em Portugal, em Lisboa, em que o galardão foi atribuído, no dia 17 de janeiro.

“Significou muito para nós. Reparámos que aquilo que tinham era uma distinção do governo chileno pelos serviços prestados pela Brigada em prol da conservação da memória da democracia chilena e através da disseminação do nome de Jara ao longo de todos os sítios por onde andámos”, afirmou.

Na sequência do golpe liderado pelo general Augusto Pinochet, em 1973, o cantor, poeta e ativista político Victor Jara foi preso, torturado e fuzilado em Santiago, capital do país sul-americano, vindo o seu nome a ser adotado dois anos depois pelo coletivo português.

Víctor Jara: o campesino que cantou um Chile em revolta foi morto há 50 anos

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

Ao assinalar os 50 anos do golpe, o governo de Santiago “resolveu conferir a medalha” à Brigada Victor Jara “pela sua importante contribuição para a democracia no Chile e pela sua solidariedade com o povo chileno”, pode ler-se no diploma que acompanhou o galardão entregue pela embaixadora Marina Teitelboim.

“Foi uma distinção que muito nos honrou”, salientou Manuel Rocha, para confirmar que, pelo contrário, a cooperativa cultural de Coimbra “nunca recebeu” qualquer reconhecimento do Estado português.

“El derecho de vivir en paz”, dedicada a Ho Chi Minh, poeta e líder revolucionário do Vietname, é uma das canções mais conhecidas de Victor Jara e que perpetuou a sua memória a nível global.

“O direito de viver em paz e numa sociedade igualitária é tão difícil”, observou à Lusa o percussionista Arnaldo Carvalho, afirmando que os membros da Brigada ficaram “estupefactos e emocionados” com a condecoração da República do Chile.

Em 2000, por proposta do então vereador da CDU Jorge Gouveia Monteiro, a Câmara de Coimbra, na altura liderada pelo socialista Manuel Machado, distinguiu o agrupamento pelos 25 anos de trabalho a valorizar a música tradicional, em Portugal e no estrangeiro.