As últimas horas do conflito na Ucrânia ficaram marcadas pelas declarações dos líderes dos EUA e da Ucrânia sobre a Crimeia. Primeiro, o Presidente norte-americano, Donald Trump, criticou as declarações do homólogo ucraniano, nas quais negou reconhecer a soberania russa na Crimeia, anexada pela Rússia em 2014.
“Ninguém está a pedir a [Volodymyr] Zelensky que reconheça a Crimeia como território russo, mas se ele a quer, por que não lutou por ela há 11 anos, quando foi entregue à Rússia sem um tiro disparado?”, escreveu Donald Trump, numa mensagem na rede Truth Social esta quarta-feira.
Na mesma rede, Trump acrescentou que “esta declaração é muito prejudicial para as negociações de paz com Rússia”, lembrando que a decisão foi tomada durante o mandato do antigo Presidente norte-americano Barack Obama e que “nem é um ponto em discussão”.
O Presidente norte-americano acrescentou que “declarações inflamadas como a de Zelensky” estão a dificultar a resolução da guerra. “A situação da Ucrânia é terrível. Ele pode ter paz ou pode lutar por mais três anos antes de perder o país todo“, escreveu Trump, deixando um aviso ao homólogo ucraniano.
Em resposta, Zelensky relembrou uma posição anteriormente tomada pelos EUA, no meio de agradecimentos aos norte-americanos e aos aliados europeus pelos esforços diplomáticos tidos na reunião entre representantes dos estados em Londres.
Juntamente com a publicação, o líder ucraniano partilhou uma imagem da declaração feita em 2018 de apoio à soberania ucraniana da península do Mar Negro feita pelo secretário de Estado de então, Mike Pompeo, que representava a primeira administração Trump.
“A Ucrânia atuará sempre em conformidade com a sua Constituição e estamos absolutamente seguros de que os nossos parceiros, em especial os EUA, atuarão em conformidade com as suas decisões firmes“, atirou o Presidente ucraniano.
Emotions have run high today. But it is good that 5 countries met to bring peace closer. Ukraine, the USA, the UK, France and Germany. The sides expressed their views and respectfully received each other’s positions. It’s important that each side was not just a participant but… pic.twitter.com/lDFV5WK8tw
— Volodymyr Zelenskyy / Володимир Зеленський (@ZelenskyyUa) April 23, 2025
Na terça-feira, Zelensky já tinha excluído qualquer cedência de território ucraniano à Rússia em qualquer acordo, antes do encontro desta quarta-feira, que teve lugar em Londres. “Não há nada para falar. É a nossa terra, a terra do povo ucraniano“, afirmou Zelensky.
[Já saiu o sexto e último episódio de “O Misterioso Engenheiro Jardim”, o novo PodcastPlus do Observador que conta a história de Jorge Jardim, o empresário que, na verdade, era um agente secreto que liderou missões perigosas em todo o mundo, tentou criar um país e deu início a um clã de mulheres aventureiras. Pode ouvir aqui, no Observador, e também na Apple Podcasts, no Spotify e no YoutubeMusic. E pode ouvir aqui o primeiro episódio, aqui o segundo, aqui o terceiro, aqui o quarto e aqui o quinto episódio]
O reconhecimento da Crimeia como território russo surgiu como uma das opções que a Ucrânia terá provavelmente de aceitar em troca de um acordo de paz para pôr fim à guerra que começou em fevereiro de 2022.
O Presidente dos EUA tem insistido que, se ele tivesse chegado à Casa Branca em 2020, a guerra na Ucrânia nunca teria acontecido e que o mais rápido processo de paz para este conflito passará sempre pela mediação dos Estados Unidos.