Uma família de Redcar, em Inglaterra, diz que tem sido alvo de ameaças desde que Tommy Robinson, um ultranacionalista britânico e fundador da Liga de Defesa Inglesa (EDL, sigla em inglês), republicou um vídeo de um avô com as netas na sua conta na rede social X, com 1,4 milhões de seguidores, com a legenda “que raio é que se está a passar aqui? Onde estão os pais?!” — publicação que foi entretanto apagada. As imagens mostravam dois homens negros, Olajuwon Ayeni e o seu irmão, a brincarem com as netas de um deles num parque infantil.
Wtf is even going on here?
Where are the parents?! pic.twitter.com/mc3DH5JMYP
— Tommy Robinson ???????? (@TRobinsonNewEra) August 13, 2025
Segundo o The Guardian a partilha descontextualizada, que parece sugerir que as crianças estavam longe da família na companhia de dois estranhos, colocou a família sob suspeitas infundadas, com Olajuwon, músico de profissão, a ser suspenso pelo seu gerente por estar debaixo de todos os holofotes. A família conta também que na rua tem ouvido pessoas a gritar “pedófilo” e que a polícia local disse que “não há muito que possa fazer”, visto a partilha do vídeo em si não constituir um crime.
Foi Natalie Ayeni, mulher de Olajuwon, quem publicou originalmente as imagens do momento em família na sua conta no TikTok e conta que, desde que foram republicadas por Robinson, têm recebido ameaças à integridade física. “Estávamos a umas ruas de casa quando passámos por dois tipos, [um deles] virou-se e disse ‘espero que não sejam os daquele vídeo. Se forem vamos voltar e cortar-vos’. É horrendo”, disse, citada no mesmo jornal britânico.
Por sua vez, Olajuwon conta que se sente “em risco, assustado e triste” pelas ameaças à sua vida e à do seu irmão. “Somos uma família normal que foi ao parque com as suas netas. As mentiras e o racismo viraram as nossas vidas do avesso e continuam a fazê-lo todos os dias”, adiciona Natalie, dizendo ainda que as suas vidas foram “arruinadas”.
Tommy Robinson, cujo nome real é Stephen Christopher Yaxley-Lennon, é uma figura associada à extrema-direita e ao discurso anti-imigração e islamofóbico no país. Em 2004, tornou-se membro do Partido Nacional Britânico e, em 2009, fundou a EDL, que assenta nos mesmos pilares ideológicos que o seu discurso nas redes sociais. É acusado de crimes de violência, fraude financeira e migratória, posse de cocaína com intenção de distribuir e ameaça à ordem pública. Foi condenado a 18 meses de prisão em 2024, mas saiu em liberdade mais cedo, em maio deste ano, após ter demonstrado uma “mudança de atitude”, segundo o The Times.
Vários comentários pediam a remoção do vídeo em questão desde que foi partilhado por Tommy Robinson, no dia 13 de agosto, tendo este apenas sido removido na quinta-feira, dia 21 de agosto.
Texto atualizado às 07h20 de quinta-feira, dia 21 de agosto, com a informação que a publicação na conta de Tommy Robinson, que estava disponível quando a notícia foi escrita, foi apagada.
Texto editado por Carlos Diogo Santos
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