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Vasco Cordeiro subiu ao palco no fim da noite para dizer que o PS foi o projeto político mais votado nos Açores
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Vasco Cordeiro subiu ao palco no fim da noite para dizer que o PS foi o projeto político mais votado nos Açores

João Pedro Morais/Observador

Vasco Cordeiro subiu ao palco no fim da noite para dizer que o PS foi o projeto político mais votado nos Açores

João Pedro Morais/Observador

Açores acordam sem saber quem vai governar. "Caranguejola" de direita à vista?

Um "terramoto" político. PS perdeu a maioria e teve pior resultado desde há 24 anos, mas insiste que "ganhou". Direita é maioritária (com o Chega). Tudo está em aberto. Começa corrida ao telefone.

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Quando, pelas 21h30, a assessora do PS Açores avisa os jornalistas, em Ponta Delgada, que é em Lisboa que vai ser feita a primeira declaração sobre a noite eleitoral, alguma coisa não estava bem. Por essa altura já era claro que um terramoto político tinha atingido os Açores: 25 na escala de Richter. Longe dos 29 deputados que o PS precisava para ter maioria absoluta, mais longe ainda dos 30 deputados que o PS tinha até aqui, os socialistas ficaram-se pelos 25 deputados, e pela pior prestação de sempre em regionais desde que chegaram ao poder em 1996 (aí tiveram 45,8%, agora tiveram 39,1%)

No quartel-general do PS no Teatro Micaelense reinou o silêncio durante toda a noite. A direita passou a ter maioria no Parlamento, a esquerda perdeu o PCP e o BE, sozinho, não é suficiente. Ninguém fecha as portas, todos abrem janelas. O PSD, que foi a segunda força política mais votada, pode governar numa espécie de vingança açoriana da “geringonça” nacional. É hora de pegar no telemóvel e na calculadora: é tempo de negociar.

Vasco Cordeiro esteve sempre resguardado no andar de cima, com a família e o núcleo duro do PS Açores, e só apareceu na sala onde estavam os jornalistas mesmo ao cair do pano. O plano era simples e consistia em repetir o que António Costa já tinha feito minutos antes no Largo do Rato, em Lisboa — dizer o óbvio. “Matematicamente, o PS ficou em primeiro, matematicamente o PSD ficou em segundo”, disse Costa, chutando o resto para a “autonomia regional”. Vasco Cordeiro usou outras palavras para dizer o mesmo: “Foi o PS que ganhou as eleições”, “o projeto político do PS foi o mais votado” e “as eleições nos Açores não são um plebiscito ao governo”. O PS ganhou em votos, em mandatos e em sete das nove ilhas, foi repetindo Vasco Cordeiro.

Quando questionado sobre se era o PS que devia governar, mesmo tendo a direita maioria no Parlamento regional, o presidente do PS Açores repetiu que o PS é que tinha ganho as eleições — e que “governa quem ganha as eleições”. Então e o que aconteceu em 2015 quando António Costa foi para o governo nacional com o argumento de que, apesar de o PSD/CDS ter ganho as eleições, era a esquerda que tinha maioria no Parlamento? Aí, Vasco Cordeiro atira para os “arquivos”. É que nessa altura, o líder do PS Açores terá sido “o único” a defender internamente a regra do ‘governa quem ganha’.

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Uma noite eleitoral que o PS esperava tranquila mas que acabou por ser um “terramoto político”, como tinha antevisto André Ventura (que, ainda assim, esperava ser a terceira força política na região, e não foi), que pode agora ter uma das chaves da maioria parlamentar açoriana na mão. A noite acabou, mas os Açores vão acordar sem saber quem vai governar: o PS? Com o apoio de quem? Do CDS e do BE? Ou do CDS e do PAN?; o PSD? Com o apoio do Chega? Eis as contas, os cenários e as portas que ficaram abertas.

Bloco não é suficiente. PS tem de olhar para o CDS e PAN

PS + CDS + PAN = 29 deputados
PS + CDS + BE = 30 deputados

Ironia das ironias: o Bloco de Esquerda, à semelhança do que acontece no plano nacional nas negociações do Orçamento do Estado, não entra para as contas do PS. Ou melhor: não chega. Com dois deputados eleitos, o PS ficaria apenas com 27 parlamentares e é preciso mais dois para formar maioria. O PAN e a Iniciativa Liberal, que elegeram um cada, podem ajudar aritmeticamente a estas contas, mas tudo indica que é para o CDS que os socialistas vão ter de se virar. Primeiro, porque os centristas foram a terceira força mais votada (com 5,51% dos votos e 3 mandatos); depois, porque o diálogo com o CDS no Parlamento tem sido mais escorreito nos últimos anos, sendo frequente ver-se o CDS a votar ao lado do PS em documentos importantes como orçamentos do Governo regional.

Em todo o caso, só o CDS também não chega. Fica a faltar um. É aqui que o PAN, considerado um partido mais neutral, pode ser importante. Em reação aos resultados eleitorais, o líder do CDS Açores deixou muito claro que estava disponível para dialogar e para “ponderar”. “O CDS é um partido responsável e não deixará os Açores num cenário de ingovernabilidade”, disse Artur Lima, sugerindo que pode dar a mão ao PS. “Vamos conversar, naturalmente, pondo sempre em primeiro lugar as pessoas e os interesses dos açorianos”, acrescentou. Problema: a resposta foi a mesma, tanto quando a pergunta era sobre uma aliança com o PS, como quando a pergunta era sobre uma maioria de direita.

Mais do que o CDS, é o PAN que pode ter a chave na mão. Partido que conseguiu pela primeira vez entrar para o Parlamento regional pelo círculo da compensação, e que gosta de se posicionar no meio, entre a esquerda e a direita. O PAN vai agora ser disputado por PS e PSD. Rui Rio, de resto, deixou claro que este partido pode ter uma palavra a dizer já que é um partido que “não é de esquerda nem de direita”.

Em alternativa, o PS tem o Bloco de Esquerda, que elegeu dois deputados e que, juntamente com o CDS, pode servir para dar a maioria ao PS. Na noite eleitoral, o líder parlamentar bloquista em Lisboa deixou pistas nesse sentido: cabe ao PS tirar as “consequências” dos resultados eleitorais, sendo que o BE está disponível para fazer acordos pontuais com os socialistas nos Açores, “medida a medida, proposta a proposta, orçamento a orçamento”. “Iremos analisar”, disse Pedro Filipe Soares. Resta saber se o CDS no mesmo barco é obstáculo.

Na sede do PS, no Teatro Micaelense, reinou o silêncio até ao último minuto

João Pedro Morais/Observador

Uma “caranguejola” de direita

PSD + CDS + Chega + IL/PAN + PPM = 29 deputados

A expressão é nada mais nada menos do que de Carlos César, que apelidou a direita nacional de ser uma “caranguejola”, que anda para trás, quando a esquerda se juntou numa inédita “geringonça” em 2015. Mas é essa mesma “caranguejola” que pode agora ter a chave da governação dos Açores. É que, com 33,74% dos votos, e mais cerca de 6 mil votos face a 2016, o PSD pode ser chamado a formar governo, caso o PS não consiga uma maioria estável com apoio parlamentar.

José Manuel Bolieiro mostrou-se disponível para isso mesmo quando, na reação aos resultados, disse que o PSD tinha agora “uma nova responsabilidade” e não se iria demarcar dela. Disse também que o diálogo que vai encetar é “com todos”, sem excluir ninguém. “Não faço declarações unilaterais, o quadro parlamentar hoje é decisivo na política açoriana, estou disponível para diálogo com todos”, disse.

Se assim for, o PSD precisa de muitos partidos no mesmo saco, todos da ala direita do hemiciclo (Rio foi o primeiro a admitir que “não será fácil”): CDS, com 3 deputados, PPM, com 2, IL, com um, e Chega, que elegeu dois deputados e se tornou a quarta força política na região. É precisamente no partido de André Ventura que reside a questão: sem este partido, a direita não é maioritária. Foi com estas contas de cabeça bem presentes que André Ventura, que está em Ponta Delgada, decidiu reagiu aos jornalistas só mesmo no fim da noite. Já depois de Vasco Cordeiro ter falado.

E deixou uma mensagem dúbia: primeiro, disse que o Chega vai estar fora de qualquer acordo de coligação. Depois, disse que foi o PSD que se afastou do Chega e não o contrário; e ainda garantiu que “a última coisa que deseja” é ver o PS a governar os Açores. Ou seja? O Chega, com dois deputados, pode inviabilizar um governo do PS, mesmo que não entre numa coligação de direita e se abstenha nessa situação.

“Nós temos valores e convicções. Ou aceitam ceder e juntar-se a nós nestas convicções ou nós não aceitamos vender-nos por lugares, nem por governabilidades, nem por chantagens, que é isso que os outros partidos estão a fazer”, disse André Ventura em Ponta Delgada. É o PSD que tem de ir ao seu encontro, e não o contrário. O PSD, por seu lado, diz que rejeita “compromissos com lógicas populistas nem demagógicas”, mas insiste que o diálogo é para ser feito “com todos” .Está, portanto, tudo em aberto.

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