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Na terra onde vivia, no Louriçal, em Pombal, não havia escola. António Calvete tinha de percorrer diariamente mais de 40 quilómetros até à Escola Secundária de Francisco Rodrigues Lobo, em Leiria, para estudar. Esta foi a história revelada numa entrevista ao DN, em 2011 pelo fundador do grupo GPS, responsável pela gestão de mais de dez colégios privados, que está no centro de um inquérito do Ministério Público que tem sete acusados.

Foi essa rotina de adolescente que lhe despertou o desejo de arranjar uma forma de preencher as zonas do país com falta de escolas (e evitar que mais jovens como ele tivessem de percorrer mais de 40 quilómetros para estudar). O que conseguiu, com sucesso. Em poucos anos, o GPS tornou-se um dos maiores grupos privados de educação e o maior recetor dos apoios pagos pelo Estado para o ensino básico e secundário.

O jovem que percorria mais de 40 quilómetros para ir estudar está agora acusado de alegada prática de crimes de corrupção ativa, peculato, falsificação de documentos, burla qualificada e abuso de confiança. Ele e outros quatro administradores do grupo GPS: Manuel Madama, Fernando Catarino, Agostinho Ribeiro e António Madama (filho de Manuel Madama). O Ministério Público entende que os administradores ter-se-ão apoderado de mais de 30 milhões das verbas recebidas do Estado, no âmbito dos contratos de associação, que usaram para pagamento de despesas pessoais: cruzeiros, jantares, carros, vinho e, até, bilhetes para o mundial de futebol.

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