[especial atualizado a 2 de março de 2019, após a vitória de Conan Osíris no Festival da Canção]

O outro dia pensei que tinha perdido o telemóvel e lembrei-me do Conan Osíris. Não que estivesse a tentar ligar para o céu. As minhas preocupações eram bem mais prosaicas: apanhar os filhos da casa de amigos, tentar conviver com adultos, fazer as compras da semana – numa teia de chamadas e whatsapps. Vai daí, talvez as implicações não fossem assim tão diferentes: desencontros, raiva, frustração. Quem nunca?

Até há poucas semanas, Osíris, de 30 anos, era conhecido por ser o cantor, compositor e provocador que em 2018 se transformara naquilo a que os jornalistas gostam de chamar “fenómeno”. O álbum Adoro Bolos incluía outros denominadores comuns com a maior parte de nós, incluindo “Celulite”. Ajudava ao hype o facto de Conan ter passado parte da juventude no Cacém e trabalhar numa sex-shop em Lisboa. Mas o que intrigava era a energia que dali saía e a sonoridade, uma electrónica com ecos de canto cigano. Quando, em Abril, fez as honras à festa do Festival de Cinema IndieLisboa, revelou-se um acontecimento dentro do acontecimento. Tal como grande parte do público que ali estava, mais do que ouvi-lo ao vivo, eu queria vê-lo ao vivo. A supernova underground do momento. Pensava eu.

[“Celulite”, de Conan Osíris:]

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