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No verão de 2018, três investigadores encontraram-se em Lisboa com uma missão: estudar os papéis guardados nos envelopes 11 EN do Espólio 3 da Biblioteca Nacional de Portugal (BNP), o espólio de Fernando Pessoa. Recolhidos entre fragmentos de diversos dramas, os manuscritos e datiloscritos do 11 EN nunca tinham recebido qualquer atenção por parte dos estudiosos de Pessoa (que, de um modo geral, sempre preteriram o teatro pessoano) e parecia estar destinados ao esquecimento. Até que houve um dia em que Carlos Pittella reparou neles.

O investigador brasileiro estava a trabalhar na edição crítica do Fausto quando se apercebeu que, entre os muitos envelopes do drama pessoano, quase todos intocados, havia um com mais de 100 papéis “que nunca ninguém tinha pedido”. “Estava mesmo novinho, não tinha uma única impressão digital marcada.” A sensação era a de que, depois de ter sido inventariado, o 11 EN nunca mais tinha sido tocado. E terá sido por isso que nunca ninguém tinha dado conta do título que aparecia a encimar muitos dos papéis: “Portugal”.

“Portugal” foi, durante muito tempo, o nome que Fernando Pessoa deu à Mensagem, o único livro que publicou em vida. A história de como o primeiro nome foi substituído pelo segundo, por causa de um comentário de Alberto da Cunha Dias, amigo de Fernando Pessoa, é famosa, mas o mesmo não se poderá dizer dos primeiros poemas que constituíram o projeto e que, sem ninguém saber, estavam guardados junto do teatro do poeta.

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