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A “mais cruel e terrível guerra”

Há cem anos, à “décima primeira hora do décimo primeiro dia do décimo primeiro mês”, mais de quatro anos de guerra na Europa chegavam ao fim. Apenas alguns dias antes, o então Secretário de Estado da Alemanha, Mathias Erzberger, e uma variedade de outros representantes germânicos, tinham chegado a Rethondes, onde o marechal Ferdinand Foch, o supremo comandante francês das forças aliadas na guerra, estabelecera o seu quartel-general. Foch leu a Erzberger os termos propostos para um armistício, e deu-lhe três dias para chegar a uma decisão. Às 4 da manhã de 11 de Novembro, Erzberger aquiesceu, exclamando dramaticamente que “uma nação de setenta milhões” – a sua – “sofre, mas não morre”. Foch respondeu apenas com um desdenhoso “muito bem”. Sete horas depois, os sons de um cessar-fogo geral foram ouvidos em todo o continente.

Tudo começara a 28 de Junho de 1914, quando o carro que transportava o Arquiduque austríaco Franz Ferdinand pela principal avenida de Sarajevo foi atingido por uma bomba que acabou por ferir outras vinte e duas pessoas. Saído ileso do atentado, o herdeiro do trono imperial austríaco pretendia visitar os feridos, quando o seu chaffeur se enganou no caminho para o hospital, e para seu azar, entrou na rua onde se encontrava um tal de Gravilo Princip, um membro da Crna Ruka (a “Mão Negra”), o grupo terrorista sérvio que tinha sido responsável pelo atentado à bomba a que o Arquiduque escapara, e que desta vez, não falharia. Um mês depois, o império declarava guerra à Sérvia. No dia seguinte, a Rússia czarista ordenava a mobilização das suas tropas contra os austríacos. A 1 de Agosto, a Alemanha declarava guerra à Rússia, e no dia 3, declararia guerra à França. No dia seguinte, seria a Bélgica a receber uma declaração de guerra do governo do Kaiser. Nesse mesmo dia, o Reino Unido declarava oficialmente a abertura das hostilidades contra a Alemanha.

Na véspera da declaração de guerra, ninguém sabia se o Reino Unido se juntaria ao conflito continental. Quando, em finais de Julho de 1914, a Alemanha pediu a neutralidade britânica, deixara bem claras as suas intenções de atacar a França. Aparentemente, não era nada que Edward Grey, o Ministro dos Negócios Estrangeiros britânico, levasse muito a sério. Como Churchill viria a descrever, o seu companheiro de Gabinete queria “fazer com que os alemães percebessem” que não poderiam ignorar a vontade inglesa, mas “sem fazer com que a França ou a Rússia sentissem que” a Inglaterra “estava no seu bolso”. Acabou por não conseguir nenhuma das duas, e os dois blocos agiam como se a Inglaterra lhes tivesse dado as garantias que cada um deles pretendia, a Alemanha acreditando que o Império Britânico se manteria neutral, França e Rússia confiantes de que em caso de guerra não seriam deixadas sozinhas.

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