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O duelo particular entre Bugalho e Temido no meio de todos os outros. Quem atacou quem no debate a oito

Bugalho e Temido foram, sem surpresa, os mais atacados. Mas ambos contribuíram para isso, num duelo a dois com cinco ataques diretos entre ambos. Ucrânia colocou o PCP como alvo apetecível.

Sebastião Bugalho e Marta Temido tinham o seu último embate na televisão e, em alguns momentos, esqueceram-se que havia mais seis pessoas na sala. Mesmo que os outros nunca se esquecessem que eles estavam lá. No debate a oito desta quarta-feira na RTP, em 40 ataques contabilizados pelo Observador, mais de metade (24) foram sofridos pelos candidatos dos dois maiores partidos. Para isso muito contribuíram os ataques entre ambos: o candidato da AD e a candidata do PS desferiram cinco ataques diretos um ao outro. Com a incerteza sobre o vencedor das eleições europeias, os principais favoritos não desperdiçaram assim a oportunidade para ferir o adversário.

Seguindo a tradição de quem representa o partido no Governo, Sebastião Bugalho foi o mais atacado (13 vezes), sendo o mais estrondoso dessa ofensiva aquele em que a candidata socialista o acusou de uma “imaturidade brutal” por dizer que esta terça-feira foi um “dia de festa” por Zelensky visitar Portugal. Temido foi, sem surpresa a segunda mais atacada, com Bugalho a ser responsável por quase metade (5) dos ataques de que a socialista foi alvo (11).

A posição sobre a Ucrânia tornou apetecíveis ofensivas contra o PCP, tendo João Oliveira sido o terceiro candidato mais atacado. Desta vez, Cotrim e Bugalho não se atacaram, naquilo que pareceu ser uma opção estratégica de ambos. Já Catarina Martins e o candidato liberal voltaram a protagonizar um momento de confronto de visões diferentes de sociedade, como tem sido habitual em alguns debates. Tânger-Corrêa atacou pouco e teve uma postura ainda mais defensiva, o que fez com que não fosse tão atacado como em debates anterior. Já Francisco Paupério, que levou a defesa pela paz para dentro de estúdio, e Pedro Fidalgo Marques estão claramente noutro campeonato: nenhum deles sofreu ataques dos outros adversários.

Sebastião Bugalho: O “feliz” que passou a furioso com a esquerda

Ataques a Marta Temido: 5
Ataques a António Tânger Correia: 1
Ataques a João Cotrim Figueiredo: o
Ataques a Catarina Martins: 1
Ataques a João Oliveira: 3
Ataques a Francisco Paupério: 1
Ataques a Pedro Fidalgo Marques: 0

Só mesmo os candidatos do PAN e IL ficaram livres de ataques do cabeça de lista da AD que disparou para todos mas mais direcionado para um alvo específico: Marta Temido. Sebastião Bugalho arrancou a campanha oficial das Europeias apostado em fazer do PS o adversário único e a estratégia prosseguiu no debate com todos. Foi Temido que desafiou a apoiar Von der Leyen à Comissão, que acusou de “dizer inverdades” e com quem mais se irritou na imigração.

Teve um momento em que, imbuído da visita de Zelensky a Portugal, falou em “dia feliz para a democracia” e deu o flanco à esquerda toda, com João Oliveira e Marta Temido a não desperdiçarem a oportunidade. O comunista disse mesmo que era “ligeireza” e fez o candidato independente da AD ripostar de forma ríspida: “Ligeireza é chamar nazi a um governo eleito como o senhor fez”. A partir daí Bugalho mudou o tom mais passivo-provocador que tinha tido até então, sobretudo com a socialista e irritou-se mesmo na imigração, acusou-a de “inventar discordâncias” com a AD e de “dizer inverdades” sobre o apoio da coligação à transferência para países terceiros dos requerentes de asilo (política Ruanda, como lhe chamam no Reino Unido). Garantiu que nem o PSD nem o CDS estão a favor e acabou a agitar no ar o Manifesto Eleitoral da AD a desafiar Temido a dizer-lhe onde estava esse ponto. Mas a adversária estava a provocá-lo com as posições da família política a que pertence o PSD na UE, o PPE, explorando eventuais contradições dos partidos da AD com o que é defendido no seu grupo.

O argumento coloca sempre Bugalho no equilíbrio delicado entre o que defende a família política e o que a AD não defende, sobretudo quando está em causa a aproximação entre o PPE (e Von der Leyen) e os conservadores europeus. O candidato já tinha garantido, neste ponto, que a AD tem uma “identidade própria dentro do PPE” e tem “linhas vermelhas de que não abdica nem em campanha nem durante o mandato”. Quais? “Estado de Direito, europeísmo e apoio à Ucrânia”, respondia o cabeça de lista da AD que desafiava Temido a explicar por que razão não apoia a recandidatura de Ursula Von der Leyen à Comissão Europeia e como essa escolha resolve “os problemas dos extremismos e a contaminação da Comissão”. Não teve resposta, mas teve um ataque à sua “imaturidade” vindo da adversária e a partir daí passou ao ataque mais cerrado, atirando ao “governo socialista da Dinamarca” autor da “política Ruanda” e “ao governo socialista espanhol que tem muros” para imigrantes.

Os restantes ataques de Bugalho foram incomparáveis em número, ficando João Oliveira como o segundo alvo mais atingido. Três ataques para esse lado, um deles dirigia-se também ao BE, foi quando provocou ambos por terem concordado cumprir metas europeias (défice e dívida) na geringonça. Falava-se das regras de governação económica que o cabeça de lista da AD defendia por trazerem, ao contrário do que a esquerda defendia, “autonomia” aos estados-membros. A Francisco Paupério, do Livre, ainda disse que concordava com ele nessa ideia de limitação, “mas só na parte relativa ao que se “passava antes, em que os mais ricos eram privilegiados na aplicação de investimentos e dos prazos”.

Houve uma única vez em que se dirigiu ao Chega, quando Tânger Corrêa falava sobre a Ucrânia e lhe disse que já o ouviu “sugerir a ideia de uma cooperação entre a Ucrânia e a Rússia” e de agora estar a dizer “que só é defensor dessa cooperação no dia em que a Ucrânia tiver ao mesmo nível de forças que a Rússia. É isso que está a dizer?” Neste tema pegou-se mais — sem surpresa — com João Oliveira que provocou recorrendo à frase que o comunistas sempre usa de “os filhos e netos” que poderão ser enviados para uma futura guerra. Disse-lhe que o objetivo do apoio à Ucrânia “é a paz ucraniana e a derrota de Putin” ou ”a segurança dos nossos filhos de que João Oliveira fala fica entregue a Putin. Seria um pouco estranho ver defender a vitória de Putin na guerra quando foi o maior financiador dos partidos de extrema direita na Europa”, rematou. Foi precisamente aqui que levantou a ira da esquerda que já não largou o tal flanco da felicidade com a visita de Zelensky.

Marta Temido: dar tudo contra a “imaturidade” de Bugalho

Ataques a Sebastião Bugalho: 5
Ataques a António Tânger-Corrêa: 0
Ataques a João Cotrim Figueiredo:1
Ataques a Catarina Martins: 0
Ataques a João Oliveira: 0
Ataques a Francisco Paupério: 0
Ataques a Pedro Fidalgo Marques: 0

A cabeça de lista do PS às europeias até pode garantir, como já fez em várias ocasiões, que o seu “inimigo” nestas eleições é o Chega. Mas a matemática do debate prova que, pelo menos no que toca à tática eleitoral, o seu adversário é mesmo a Aliança Democrática – ou não se tivesse dedicado durante boa parte do debate a criticar a coligação que junta PSD e CDS ou a tentar expor incoerências relativamente à sua família europeia.

Temido fala, sim, recorrentemente sobre a extrema-direita e os seus perigos – mas quase sempre por associação à direita “tradicional”. Foi isso que fez logo no início do confronto a oito, quando disse ver uma Ursula Von der Leyen “claramente” disposta a abrir as portas à extrema-direita (“Não há extrema-direita fofinha e uma palatável”), e foi por aí fora. Depois, atacou a posição do PPE (diferente da da AD, recordaria Bugalho) sobre as taxas de juro, mas também a do Ministro das Finanças sobre o assunto; associou a AD à sua família europeia, que propõe “construir muros” para travar as migrações; e disparou contra a “imaturidade” de Bugalho – “fiquei incomodada” – por ter classificado a vinda de Volodymyr Zelensky a Portugal como um “dia de festa”, questionando se estava a celebrar os ucranianos mortos.

O tiro contra a “imaturidade” de Bugalho, que a par de Paupério é o candidato mais novo destas eleições, vai direto ao contraste que o PS quer estabelecer com a experiência governativa de Marta Temido. Nesta sucessão de confrontos com a AD, o debate foi muitas vezes provocado pela socialista, que lançava questões diretamente dirigidas a Bugalho ou ia buscar posições suas para atacar a AD. Em vários casos, as posições eram do PPE e não da AD, mas Temido foi frisando que Bugalho tem de saber que se insere numa família política e que não estará sozinho no Parlamento Europeu, numa tentativa de colar o candidato às posições mais polémicas do seu grupo na Europa.

O principal foco de Temido esteve, assim, no adversário que quer bater nestas eleições, tentando assegurar uma vitória para o PS que se transponha o mais possível para o plano nacional. Não perdeu tempo no ataque aos partidos à sua esquerda, teve apartes inconsequentes para os mais à direita e, num momento de debate mais quente em que as interrupções se sucediam, acabou por concluir: “Às tantas as pessoas não percebem nada do que estamos a dizer”. Do seu lado, percebeu-se que o alvo está bem definido.

Tânger atacou o PCP ao defender Montenegro

Ataques a Sebastião Bugalho: 1
Ataques a Marta Temido: 1
Ataques a António Tânger-Corrêa: 0
Ataques a Catarina Martins: 0
Ataques a João Oliveira: 2
Ataques a Francisco Paupério: 0
Ataques a Pedro Fidalgo Marques: 0

António Tânger-Corrêa está sempre com ar de quem tem uma consulta às cinco — de quem está desejoso que o debate chegue ao fim. A postura passiva, que é estratégica, faz com que tenha feito poucos ataques diretos. Criticou algumas decisões do “centrão”, como aprovar as novas regras orçamentais, sempre numa lógica de que PS e PSD são mais do mesmo.

Numa das poucas ofensivas aproveitou a Ucrânia para atacar o PCP e, ao mesmo tempo, defender o Executivo… de Montenegro. Quando João Oliveira disse que o Governo ainda nada fez pela paz, o candidato do Chega fez questão de lembrar uma novidade da tarde do mesmo dia: que Portugal se faria representar ao mais alto nível na cimeira da paz na Suíça.

Os ataques de Tânger-Corrêa foram depois centrados em temas-bandeira do Chega, como a imigração, desafiando os outros sete candidatos a irem a Vila Nova Milfontes, localidade onde garante ter ouvido pessoas “aterradas” e soube de outras que saíram mesmo do Alentejo por causa da imigração. Criticou ainda o recurso abusivo de imigrantes ao VVTL, Visto de Validade Territorial Limitada, que devia ser — na sua opinião — uma exceção utilizada em “casos extremos”. O ataque aqui foi mesmo à política de imigração.

Cotrim bate de frente com Catarina e provoca Temido

Ataques a Sebastião Bugalho: 0
Ataques a Marta Temido: 2
Ataques a António Tânger-Corrêa: 0
Ataques a Catarina Martins: 2
Ataques a João Oliveira: 1
Ataques a Francisco Paupério: 0
Ataques a Pedro Fidalgo Marques: 0

O melhor momento de João Cotrim Figueiredo no debate – e o ataque mais veemente – acabou não à boleia de um trunfo pensado previamente mas foi fruto de uma reação a Catarina Martins. Quando a bloquista tentou embaraçar o cabeça de lista da Iniciativa Liberal com a aliança entre os liberais neerlandeses e o partido de direita radical de Geert Wilders (PPV), Cotrim não só recordou que o ALDE já se tinha demarcado como está a estudar a expulsão do partido liberal holandês.

Usando a força de Catarina Martins contra a adversária, o liberal virou o jogo: foi o Bloco de Esquerda que nunca se demarcou convictamente da aliança entre o Syriza e os Gregos Independentes, partido conhecido pelas posições nacionalistas, populistas e anti-imigração. A bloquista tentou, sem grande sucesso, rebater, mas a gestão do tempo permitiu que Cotrim saísse por cima.

Até ao fim do debate, o liberal atacaria ainda Marta Temido pelo legado do PS na extinção do SEF e criação da AIMA, e também na questão do crescimento económico, acusando os socialistas de não terem uma vaga ideia de como garantir esse mesmo caminho. Mais perto do final, ainda se travou de razões com João Oliveira, mas não com o vigor de outros debates.

Catarina Martins: ataques contra AD e IL para colar direita tradicional e liberais à extrema-direita

Ataques a Sebastião Bugalho: 2
Ataques a Marta Temido: 1
Ataques a António Tânger-Corrêa: 0
Ataques a João Cotrim Figueiredo: 3
Ataques a João Oliveira: 0
Ataques a Francisco Paupério: 0
Ataques a Pedro Fidalgo Marques: 0

Em linha com a generalidade das suas intervenções até aqui, Catarina Martins usou o debate a oito desta noite na RTP para concentrar ataques na direita e para tentar colar a direita tradicional e os liberais à extrema-direita. A candidata do Bloco de Esquerda usou um dos principais argumentos das intervenções e comícios dos últimos dias: o de que, quando o tema é manter-se no poder, podem cair as linhas vermelhas que separam a direita tradicional e os liberais da extrema-direita.

Catarina Martins usou, essencialmente, as afiliações europeias dos partidos da direita portuguesa para sustentar esse argumento. Contra a Aliança Democrática, referiu que o Partido Popular Europeu (PPE, a que estão afiliados PSD e CDS) está “a negociar com a extrema-direita a sua permanência na Comissão Europeia”. Catarina Martins referia-se à abertura de Ursula von der Leyen, atual líder do executivo comunitário, para trabalhar com o grupo dos Conservadores e Reformistas (grupo de direita nacionalista que inclui por exemplo o partido de Giorgia Meloni). Depois, partiu daí para referir que o governo italiano (de Giorgia Meloni) inclui uma coligação com “alguém que usa a T-shirt do Putin”, referindo-se a Matteo Salvini, da Liga (partido que faz parte do grupo europeu Identidade e Democracia, o mesmo do Chega).

Contra a Iniciativa Liberal, Catarina Martins repetiu o argumento da Holanda, onde há um “governo de extrema-direita” que foi até “saudado pelo Kremlin” e que “só é governo” porque obteve o apoio dos liberais. “O antigo líder dos liberais que abriu caminho a esta solução é agora apontado como futuro secretário-geral da NATO”, afirmou ainda, reiterando a acusação de “cinismo” contra a direita e os liberais. Quando criticou a Alemanha por estar a permitir o envio de armas para Israel, Catarina Martins não deixou de mencionar que Berlim tem um governo de socialistas, verdes e liberais. Com estes argumentos, Catarina Martins sintetizou aquilo que tinha dito num comício no início da campanha: que as ameaças, para o Bloco, não vêm apenas da extrema-direita, mas também da direita tradicional, que começa a deixar cair as barreiras que a separavam dos radicais.

João Cotrim de Figueiredo foi, de resto, o principal alvo de Catarina Martins neste debate — tal como já tinha sido durante os dois primeiros dias de campanha, numa troca de acusações entre os dois que acabou por se refletir na tensão do debate. Depois de, na segunda-feira, Cotrim ter acusado o Bloco de “sonsice” nas posições sobre a Ucrânia, por Catarina Martins defender uma negociação de paz que pudesse incluir, por exemplo, a neutralidade de Kiev, a candidata do Bloco veio acusar o liberal de mentir e até lhe atirou a carta do passado, sublinhando que, nas vésperas da invasão da Crimeia pela Rússia, Cotrim era o líder do Turismo de Portugal e andava a vender vistos gold aos oligarcas russos. A troca de acusações entre Bloco e IL fez subir a tensão da campanha e traduziu-se no debate desta noite, com Catarina Martins a atacar, interromper e corrigir Cotrim pelo menos três vezes.

Vincando um dos temas fortes do Bloco nesta campanha — os direitos das mulheres —, Catarina Martins lamentou também que, entre as linhas vermelhas do PPE em relação à extrema-direita seja impossível encontrar referências aos direitos das mulheres ou aos direitos humanos. O tema do Pacto das Migrações foi também uma oportunidade para Catarina Martins apontar baterias à direita, criticando o voto “lamentável” de quem “lamenta” as consequências negativas do projeto ao mesmo tempo que o vota favoravelmente. Ainda no contexto da guerra na Ucrânia, Catarina Martins atacou os “generais de sofá que tão facilmente querem mandar os filhos dos outros para a guerra” e deu como exemplo o Presidente francês, Emmanuel Macron, cujo partido pertence ao grupo dos liberais no Parlamento Europeu.

Apesar de Catarina Martins ter concentrado a quase totalidade dos seus ataques à AD e à IL por via das suas ligações europeias, a candidata do Bloco de Esquerda também desferiu pelo menos um ataque contra o PS, quando classificou as novas regras orçamentais da UE como um “retrocesso” que dá demasiado “poder” a Bruxelas e recordou que estas foram regras que os “socialistas europeus negociaram com a direita”.

João Oliveira contra bloco central e “ódio” do Chega

Ataques a Sebastião Bugalho: 4
Ataques a Marta Temido: 2
Ataques a António Tânger-Corrêa: 1
Ataques a João Cotrim Figueiredo: 1
Ataques a Catarina Martins: 0
Ataques a Francisco Paupério: 0
Ataques a Pedro Fidalgo Marques: 0

Seria justo dizer que o alvo mais criticado por João Oliveira foram mesmo as instituições europeias – de resto, questionado pelo moderador sobre o que é que lhe agrada na Europa, o comunista disparou simplesmente que a CDU não abdica deste “espaço de intervenção” em Bruxelas, sem identificar aspetos positivos. Mas essa parte não faz parte do contador. Entre as forças políticas que estavam na sala, João Oliveira distribuiu ataques e focou-se sobretudo na AD, mas também criticou o PS, apontando assim a sua mira ao “bloco central” em vários momentos.

Isso aconteceu logo quando criticou tanto sociais-democratas como socialistas por terem aprovado “espartilhos” e “regras que não nos servem”, referindo-se às novas regras orçamentais a nível europeu. A crítica partilhada repetiu-se quando falou sobre outra votação comum de AD e PS, a favor do Pacto das Migrações: “Escancararam as portas à ideologia racista e xenófoba da extrema-direita”, disparou.

A AD foi, ainda assim, o maior alvo dos comunistas, nomeadamente na questão da “paz”: tanto no que diz respeito à Ucrânia como a Gaza, acusou UE e o Governo português de não fazerem o suficiente para chegar a essas soluções. Depois de ficar praticamente isolado na sua posição quanto à Ucrânia – questionado sobre se Putin lhe parece ter vontade de chegar à paz, respondeu apenas com críticas à UE – Oliveira acusou Bugalho de falar com “ligeireza” da guerra, voltando a argumentar que os ucranianos estão a ser usados como “carne para canhão”. E acabou a criticar o Executivo português por não reconhecer o Estado da Palestina, quando outros países já o fizeram – “se o fizesse amanhã já não estaria sozinho”.

Um dos ataques mais fortes de João Oliveira foi no entanto dirigido ao Chega, depois de ouvir Tânger-Corrêa dizer que há uma “completa” ligação entre insegurança e imigração, ainda que os dados estatísticos conhecidos não apontem nesse sentido. Por isso, acusou o Chega de promover um país do “ódio”, em que as pessoas “desconfiam” e se viram umas contra as outras, e garantiu que para travar esse percurso é preciso resolver os problemas concretos dos “trabalhadores”. Para terminar, a clássica picardia contra os liberais (neste caso graças à “taxação mínima” que, diz, permitirão aplicar às grandes multinacionais).

Francisco Paupério defende a paz (até dentro do estúdio)

Ataques a Sebastião Bugalho: 0
Ataques a António Tânger-Corrêa: 0
Ataques a João Cotrim Figueiredo:0
Ataques a Catarina Martins: 0
Ataques a João Oliveira: 0
Ataques a Francisco Paupério: 0
Ataques a Pedro Fidalgo Marques: 0

Já houve debates em que o candidato do Livre se destacou precisamente por atacar e desafiar os adversários a responderem-lhe. Mas não foi o caso deste confronto: mais discreto, Paupério aproveitou sobretudo para defender as suas posições relativamente a várias das principais bandeiras do Livre e as poucas críticas que se poderiam aplicar aos outros partidos foram sobretudo indiretas.
Foi o que aconteceu quando voltou a assumir que acharia melhor que não houvesse de todo um Pacto para as Migrações e que isso seria preferível ao documento aprovado, entre outros, por PS e PSD – mas não atacou diretamente esses partidos.

De resto, sem reagir a ataques (mesmo a referências como a de Catarina Martins, que lembrou que os Verdes alemães, da mesma família política que o Livre, estão num Governo que envia armamento para Israel), Paupério defendeu que o uso de armas (incluindo as que são enviadas para a Ucrânia) deve ser escrutinado; que a Ucrânia deve definir os termos em que quer chegar à paz; contestou a racionalidade das novas regras orçamentais da UE; e voltou a pedir que Portugal reconheça o Estado da Palestina. Tudo sem passar ao confronto direto, embora na flash-interview pós-debate tenha garantido que o debate expôs mais o que “distancia” os candidatos do que “aquilo que os aproxima”.

Pedro Fidalgo Marques foi ao ataque para falar de causas

Ataques a Sebastião Bugalho: 1
Ataques a Marta Temido: 0
Ataques a António Tânger-Corrêa: 0
Ataques a João Cotrim Figueiredo: 0
Ataques a Catarina Martins: 1
Ataques a João Oliveira: 0
Ataques a Francisco Paupério: 0

Pedro Fidalgo Marques esteve discreto durante a maior parte do debate, dirigindo algumas críticas mais genéricas (sem falar do Chega) à extrema-direita e assegurando que esta “mata direitos”. Foi assim, aliás, que chegou à crítica à AD, perguntando a Sebastião Bugalho se validará acordos com esses partidos em Bruxelas e se o “não é não” se aplica fora das fronteiras de Portugal.

Ainda se picou com Catarina Martins, a quem chegou a perguntar se “vive noutra realidade” para recordar que o PAN defende uma contribuição extraordinária para os lucros do setor da Defesa, depois de ter ouvido a bloquista criticar a participação dos Verdes (da mesma família política de Livre e PAN) no Governo alemão, que envia armas para Israel e promove que se “esqueça o investimento contra transição justa”. O candidato do PAN focou-se assim em passar ao ataque quando as suas principais bandeiras estavam em causa, mas mesmo nesses momentos de picardia não teve grande destaque.

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