Quinze anos depois de ter trocado a consultoria pela SAD do Benfica, Domingos Soares Oliveira, administrador da sociedade dos encarnados, foi o primeiro convidado do “Nem tudo o que vem à rede é bola”, novo programa semanal de desporto da Rádio Observador que arrancou esta segunda-feira. Ao longo de 20 minutos, o responsável pelas contas das águias recordou a evolução das receitas de 45 para 300 milhões de euros (um valor recorde, registado no exercício 2018/19), projetou o futuro do clube a nível financeiro e falou ainda de alguns temas da atualidade como a venda de João Félix ou o aumento do estádio da Luz, recordando outras histórias como o dia em que Simão esteve de saída para o Liverpool… mas passou da meia noite.

Hoje o Benfica apresenta receitas de 300 milhões de euros. Ainda se recorda das receitas há 15 anos, quando chega ao clube?
Recordo-me perfeitamente, eram receitas na ordem dos 45 milhões de euros, com uma situação de prejuízos, com capitais próprios a roçar o negativo, com variantes que faziam com que de vez em quando tivéssemos capitais próprios negativos e outras positivos, mas era uma situação muito mais complicada do que aquela que temos hoje.

Muitos zeros a menos com o universo de hoje…
Eram zeros a menos comparando com a situação atual mas era uma situação que, em termos proporcionais em relação aos outros clubes grandes europeus a diferença em termos percentuais mantém-se, o que quer dizer pela positiva que conseguimos crescer ao ritmo dos grandes clubes europeus e quer dizer pela negativa que os gaps que existiam em termos de volumetria de valores absolutos são maiores hoje do que eram nessa altura.

É possível fazer essa recuperação? Já pensava nessa altura que o Benfica seria capaz de chegar a esta situação e como é que consegue agora reduzir essa diferença com a realidade internacional?
Sabíamos que a recuperação seria impossível, sendo objetivos sobre isso. Não há forma de recuperar dessa diferença porque os cinco grandes mercados europeus têm um volume de receitas televisivas que são insuperáveis para um clube português e por isso nunca tivemos a ambição de conseguir ultrapassá-los em termos de valores absolutos. Queríamos, isso sim, duas coisas: crescer ao mesmo ritmo deles, e se o mercado cresce a um ritmo de dois dígitos também queremos crescer a dois dígitos, e fazer isso sem comprometer a situação patrimonial. Ou seja, teríamos de chegar a um processo de geração de lucros para atingirmos uma situação como a que temos hoje. Esse foi o caminho que percorremos: investimento, forte investimento numa fase inicial em pessoas e património, depois já noutras vertentes mais ligadas à componente desportiva, e os resultados estão à vista. Seis anos de lucros, e até antecipo já sete anos de lucros porque com a venda de João Félix vamos gerar uma situação positiva, com resultados desportivos como os cinco Campeonatos em seis épocas mostra que seguimos a estratégia certa.

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