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“Eu estava na companhia de outros 11 colegas, todos pescadores da mesma aldeia de Ilala (…). Estávamos na praia, a puxar as redes, quando vimos os insurgentes a vir pelos coqueiros. Eram cinco homens, vestidos com farda das Forças de Defesa e Segurança. A dada distância, chamaram-nos e todos fomos. A nossa ideia era de que se tratavam de agentes das Forças de Defesa e Segurança e que tínhamos de colaborar. Quando nos aproximámos, eis que nos puxaram a todos para o mesmo lugar e começaram a disparar. Primeiro para as pernas para não fugirmos, mas naquela confusão alguns dos meus colegas, mesmo com tiros, conseguiram fugir, tendo sido socorridos (…).

“Naquele instante, os meus cinco colegas teriam sido mortos e decapitados à minha frente. Eu escapei porque enquanto atiravam quatro tiros para a minha perna esquerda, eu gritava ‘não há Deus, apenas um único criador’, em língua árabe, foi daí que me deixaram, dizendo que ‘este era muçulmano’. Disseram-me que iria ser salvo no hospital, levaram o nosso peixe, e as nossas bicicletas foram ali mesmo destruídas e então foram-se. Dali fiquei inconsciente até que, no dia seguinte, veio o grupo de pessoas da aldeia para enterrar os corpos dos meus colegas e eu fui resgatado.”

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