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Dono de uma habilidade ímpar, Diego Maradona vai ficar para sempre na história
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Dono de uma habilidade ímpar, Diego Maradona vai ficar para sempre na história

Dono de uma habilidade ímpar, Diego Maradona vai ficar para sempre na história

Um ano sem Maradona, um ano de homenagens: como o mundo recorda e "reza" a Dios depois da sua morte

Diego Armando Maradona morreu exatamente há um ano. Recorde as homenagens mais impactantes ao mago que foi muito mais do que um jogador de futebol e criou uma (re)ligião de fãs ao longo do tempo.

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Um ano sem Deus. Ou como diria (e escreveria) o seu povo, que tanto o amou e ainda o saúda com muita saudade: Dios ou D10s. Faz esta quinta-feira um ano que Diego Armando Maradona morreu. Passou um ano desde que o futebol ficou, apesar dos defeitos, das derrotas ou dos desatinos do argentino, mais pobre. Maradona deixou-nos com 60 anos e com ele levou uma vida de estrela de rock, provavelmente a primeira rockstar do futebol a nível planetário (menção honrosa para George Best). Para trás ficámos nós, comuns mortais, e os outros, apenas jogadores, sejam Cristiano Ronaldo ou Messi, algum argentino de divisões inferiores ou uma criança a jogar na rua. Pode discutir-se tudo sobre o polémico Maradona, sobre o jogador Maradona e até sobre o homem Maradona, se foi o melhor de sempre (ou Pelé), o que teria sido sem os problemas com as drogas ou o que aconteceria se um divino golo não tivesse sido tocado pela Mão de Deus. O que não pode questionar-se é a grandeza, goste-se ou não, de Diego.

A palavra comum não tem a ver com qualidade, Bolas de Ouro, títulos, golos, ordenados estratosféricos ou um número quase infindável de seguidores nas redes sociais. A palavra comum é aqui usada apenas para separar Dios dos remanescentes. Ninguém voltará a ser (como) Maradona. Que o diga a Argentina. Não apenas a seleção, mas o país como um todo. Que o diga o Nápoles e os napolitanos. Que o diga, até, Peter Shilton, o tal que viu a Mão de Deus como uma obra do diabo, ou até o tunisino Ali Bin Nasser, árbitro que não viu Diego fazer um golo que não devia ter contado e, também por isso, mas por ser isso mais Maradona, um golo que ficará para a eternidade da história do futebol.

Foi o próprio Maradona que atribuiu divindade ao seu golo com a mão, para mais tarde colocar tudo em pratos limpos numa autobiografia, numa frase bem sua: “Agora posso dizer o que não podia na altura, aquilo que defini então como a mão de Deus. Que mão de Deus? Foi a mão de Diego”. E foram também os pés de Diego que nesse dia 22 de junho de 1986 no Estádio Azteca, na Cidade do México, marcaram o “golo do século”, num Mundial que a Argentina viria a ganhar muito à custa desse jogo e das exibições de El Pibe. 

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Sem surpresa, foram muitas as homenagens após a sua morte que se seguiram por parte do mundo do futebol, mas também pela sociedade em geral, sobretudo na Argentina, claro. Não foi algo passageiro, não foi algo que se vá esquecer tão rapidamente. Mesmo que haja ainda proximidade com a data da morte de Maradona, não será só agora que aparecerão homenagens. Muitos são os que não se lembram apenas agora, ou uma vez por ano, ou que encetam homenagens que poderão durar uma eternidade. E foram muitas.

Uma das primeiras veio do Nápoles, clube onde ganhou, entre outros títulos, duas ligas italianas e uma Taça UEFA. Depois da morte do antigo jogador, o presidente da Câmara da cidade, Luigi de Magistris, e o presidente do clube, Aurelio De Laurentiis, tomaram pelas suas próprias mãos a obra de transformar o Estádio San Paolo no Estádio Diego Armando Maradona. Assim, a partir de dezembro de 2020, a cidade napolitana ficou com mais de 60 mil lugares abrigados pelo nome do seu maior e eterno ídolo.

A cidade mais pobre de Itália comprou o jogador mais caro do mundo”, foi uma ideia que ficou e uma frase dita por um pivô de um telejornal italiano no dia da contratação.

Foi a 10 de dezembro de 2020, em plena pandemia Covid-19 e sem ninguém nas bancadas que o Estádio Diego Armando Maradona recebeu na estreia um jogo para a Liga Europa (a tal competição ganha quando ainda era Taça UEFA) frente aos bascos da Real Sociedade. Sem magoar a qualificação da equipa italiana para a fase a eliminar, o jogo terminou empatado 1-1. A ausência de adeptos neste jogo contrastou de uma forma gritante com os mais de 70 mil que alegadamente encheram o San Paolo em 1984, quando Maradona chegou do Barcelona para surpresa da generalidade das pessoas, incluindo os napolitanos. “A cidade mais pobre de Itália comprou o jogador mais caro do mundo”, foi uma ideia que ficou e uma frase dita por um pivô de um telejornal italiano no dia da contratação.

Os jogadores do Nápoles na “estreia” do Estádio Diego Armando Maradona

Também em Nápoles, mas já durante esta época e muito recentemente, a equipa da cidade onde Maradona é praticamente um Deus anunciou no início do mês de novembro um novo equipamento de homenagem ao seu antigo craque. A camisola, já utilizada, tem mesmo a cara de Diego Maradona na zona do abdómen da parte de cima de indumentária que está a ser vendida em três cores, mas apenas com 1.926 exemplares de cada, um número alusivo ao ano de fundação dos italianos.

“Um ano depois da sua morte, o Nápoles honra um grande campeão, símbolo de uma era e ícone indiscutível do futebol mundial. O desenho de uma estilizada cara de Maradona sobre uma impressão digital reflete a vontade de passar o legado da lenda argentina para a cidade e para as gerações mais jovens”, lê-se no site dos napolitanos sobre a camisola Jogo Maradona.

Insigne é o capitão dos napolitanos, aqui a usar a camisola Jogo Maradona em base branca
LightRocket via Getty Images
A imagem de Maradona sobre a a impressão digital presente na camisola
Getty Images

Dar o nome de Diego Armando Maradona a algo pode parecer uma ideia simples ou fácil, mas a verdade é que pode ser um simples gesto que pode dar notoriedade, quer ao nome do malogrado argentino, quer a uma competição, mas não deixa de ser uma homenagem. Vai daí e a na primeira edição da Taça da Liga Argentina, em 2019/2020, esta chamou-se Copa Diego Maradona. Curiosamente, foi o Boca Juniors de de Diego foi o primeiro vencedor da competição, ao bater por o Banfield nas grandes penalidades (5-3) após um empate a um golo.

No mesmo sentido, mas ainda por realizar, está a Maradona Cup, que se vai realizar no próximo dia 14 de dezembro de 2021 em Riade, na Arábia Saudita, no Mrsool Park, com capacidade para 25 mil espetadores. O estádio receberá um encontro de homenagem a Diego entre o Boca Juniors (mais uma vez) e o Barcelona. A Cidade Condal representou a primeira experiência fora da Argentina e a ida de Maradona da Bombonera para o Barça representou para a altura uma das maiores e mais dispendiosas transferências de sempre.

Na Catalunha, Maradona teve duas épocas (de 1982 a 1984) muito marcada por lesões, subindo ao relvado 58 vezes com a camisola blaugrana. Sem conquistar qualquer Campeonato espanhol, o argentino venceu uma Copa do Rei, uma Supertaça de Espanha e a então existente Taça da Liga espanhola. No Boca Juniors, onde jogou apenas uma temporada depois de ter estado no Argentino Juniors, conquistou o apuramento para a Libertadores, mas nunca chegou a chegar vez alguma nesta competição, mesmo tendo voltado ao clube, já depois de vários clubes e um par de castigos, para fazer os últimos jogos enquanto jogar, de 1995 a 1997.

E ficando em Barcelona, outra homenagem veio de um dos sucessores de Maradona. “Um dos” porque foram muitos os apontados ao longo das décadas, de Ortega a Aimar, passando por Riquelme, por exemplo. Foi Leo Messi, o herdeiro de maior sucesso, considerado por muitos um dos melhores ou mesmo o melhor de sempre, que até chegou a ser pupilo de Maradona na seleção argentina entre 2008 e 2010. A 29 de novembro de 2020, poucos dias depois da morte de Dios, Messi festejou o quarto golo do Barcelona frente ao Osasuna, mais uma vez num estádio sem ninguém, ao tirar a camisola do Barça e mostrar ter vestida por baixo uma camisola do Newell’s Old Boys, clube onde Messi jogou os primeiros anos como criança de Rosario, Argentina, e emblema onde Maradona chegou a jogar. Decorria então o ano de 1994 e Messi tinha perto de sete anos.

4 fotos

Frente ao Osasuna, Messi revelou uma camisola dessa época, com o 10 nas costas. Fez golo, mostrou a camisola interior e apontou com os dois braços para o céu, a tentar falar com um dos seus maiores ídolos e também, no sentido inverso e de reciprocidade, admirador.

Um pulo para o verão passado na América do Sul serve para relembrar uma outra homenagem a Maradona, neste caso numa competição que nunca ganhou: a Copa América. No Estádio Nilton Santos, no Rio de Janeiro, Brasil, Diego foi homenageado antes do jogo entre a Argentina, pela qual foi campeão do mundo em 1986, e o Chile, no encontro de estreia da equipa das pampas na prova.

A CONMEBOL, órgão que tutela e rege o futebol sul-americano, quis assim homenagear um dos expoentes máximos do futebol que saiu daquele lado do mundo. Durante mais de três minutos, um vídeo que usou inclusivamente tecnologia para colocar animações no relvado e no estádio, fez uma retrospetiva da carreira de El Pibe, relembrando as várias camisolas que vestiu durante a carreira enquanto este dá toques.

Os argentinos comemoraram ainda com uma grande homenagem o aniversário de Maradona a 30 de outubro de 2021, com desde mil jogos interrompidos aos 10 minutos a um amigável entre os campeões do mundo de 1978 e 1986. A iniciativa partiu de adeptos mas vai ao encontro do que decidiu então a Associação do Futebol Argentino (AFA), que interrompeu também todas as partidas da 19.ª jornada da I Liga do país quando estes chegassem aos 10′. “A Liga entende que, por ser o primeiro aniversário de Maradona sem a sua presença física, a magnitude da sua figura justifica a excecionalidade da citada homenagem por única ocasião”, leu-se num comunicado.

Em todos os 13 confrontos da ronda, os árbitros tiveram a ordem de parar os jogos aos 10 minutos, reter a bola e convidar jogadores e adeptos a um minuto de silêncio seguido de um minuto de ovação. Nos estádios com ecrã gigante, houve um vídeo de homenagem a Maradona, com a inscrição “Diego Armando Maradona: 1960 – 8” (símbolo de infinito). Pelas instalações sonoras, ecoou a canção “La Mano de Dios” (A Mão de Deus) – em alusão ao golo que marcou com a mão à Inglaterra no Mundial de 1986 -, do falecido cantor e compositor Rodrigo Bueno, um hino para os maradonianos. 

É pouco provável que a lenda de Maradona morra. Existem hoje em dia as redes sociais e, talvez sobretudo, o YouTube, com centenas e centenas de vídeos do astro argentino. Da Mão de Deus ao Golo do Século, de jogados do Argentino Juniors à história dos castigos, dos problemas com drogas e dos últimos tempos dentro de campo. Mas há quem escolha métodos mais antigos para imortalizar Maradona. Foi o caso de Alfredo Segatori, que pintou um mural enorme com a imagem de D10s, no bairro de La Boca, perto da mítica Bombonera, uma homenagem simples, segundo o artista: “Esta é a minha contribuição humilde para a reverência para com ele em todo o mundo”.

Imagem da execução da obra

“Ele é especial, é um patrono dos artistas, dos que não têm posses e dos desportistas também. Queremos dar-lhe essa conotação com este projeto”, disse Segatori sobre a obra que se chama “San Diego del Barrio de la Boca”. A ideia já existia e estava “projetada para mais tarde”, mas a notícia deixou o artista numa “triste total”, pelo que tratou de pintar o espaço com 20 metros de alto e 40 de comprimento.

O artista e o mural do “santo”

Uma das homenagens mais emocionantes quase nem precisa de explicação. Pouco depois da morte de Maradona, a Argentina defrontou a Nova Zelândia em râguebi e o tradicional haka dos All Blacks foi realizado como uma homenagem a Diego, que teve direito a uma camisola da equipa da Oceânia com o seu nome. O resto? O resto é preciso ver…

Para finalizar, a EA Sports não foi em tristezas e no seu famoso FIFA 2021, o jogo de futebol mais conhecido do mundo, homenageou e agradeceu ao antigo futebolista. A EA oferecia aos jogadores objetos alusivos a Maradona, que estes podiam usar durante os seus jogos ou nas suas equipas, consoante o modo de jogo.

“Um futebolista que definiu a sua geração e todas as que se seguiram”, tweetou a EA Sports. Assim de súbito, haverá melhor frase para definir Diego Armando Maradona?

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