O tema da inclusão deve ser colocado na agenda política de forma a que seja seriamente debatido com o objetivo de serem tomadas medidas eficazes que combatam a exclusão e não, não me refiro a opções sexuais, nem a etnias, refiro-me a outro tipo de exclusão que entendo ser fundamental combater de uma vez por todas. A exclusão de pessoas portadoras de deficiência.

As pessoas com mobilidade reduzida ou com baixa visão deparam-se no seu dia a dia com barreiras arquitetónicas que lhes reduz, ainda mais, a liberdade de movimentos. Isso é notório em diversos exemplos, como edifícios municipais e outros do Estado que deveria ser exemplo. Quem nunca viu obras públicas efetuadas recentemente onde por exemplo existe um passeio estreito com um poste de iluminação pública ou um sinal de trânsito ao meio, impedindo a circulação de uma cadeira de rodas ou até de bebé? Este é apenas um exemplo, mas há mais exemplos que podem ser dados.

Mas continuemos, não são apenas as barreiras arquitetónicas que contribuem para a falta de Inclusão no nosso País, as barreiras culturais são outro problema, a mentalidade de muitos empresários é retrógrada, preconceituosa e não têm a desejada responsabilidade social, criando assim maior dificuldade no acesso ao emprego a pessoas com deficiência. Mas desengane-se quem pense que a inclusão de “pessoas especiais” numa empresa pode ser um “peso”, como se uma pessoa cega ou surda não pudesse desempenhar determinadas funções com muita eficiência.

Abordei as barreiras arquitetónicas, as barreiras culturais, falta-me mencionar as barreiras educativas e sociais.

Há falta de Professores de Educação Especial que desempenham um papel fundamental no acompanhamento pedagógico das crianças e jovens com deficiência, tal como psicólogos e terapeutas, embora o seu papel não seja devidamente reconhecido pelo Estado, como consequência desse facto temos alunos sem o devido apoio na Escola Pública — também aqui o Estado falha na Inclusão.

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Por fim, surge o drama de muitas famílias com filhos portadores de deficiência, a falta de locais especializados onde possam permanecer durante o dia enquanto os Pais vão trabalhar, pois a partir do 12º ano de escolaridade, têm que deixar a Escola Pública e os Pais não podem abdicar das suas vidas profissionais. Urge procurar soluções dignas para resolver este problema que afeta muitas famílias que forçosamente já têm um modo de vida diferente, muitas vezes enfrentando dificuldades por falta de apoios.

É esta exclusão da inclusão que mais nos deve preocupar enquanto sociedade e que infelizmente é praticamente ignorada, dói apenas a quem vive deparado com as inúmeras barreiras e não encontra as respostas que deviam existir.

Pensemos nisto!