É sintomático que estas pequenas (ou não) mudanças sejam notícia. Há poucas semanas fomos informados que os funcionários (homens) do BCP estavam desobrigados de usar gravata no verão. Mais para o início do ano, o Goldman Sachs mudou as regras de vestuário de trabalho (de verão e de inverno) para o tronar mais flexível e menos formal. Donde, esse reduto de conservadorismo que é o setor financeiro começa a dar sinais de que quer ser um tudo nada mais moderno. A ideia é mesmo essa, nos dois casos: apresentarem-se aos clientes como mais atuais, portadores de uma mudança face ao passado.

Fazem bem, por todas as razões. A imagem corporativa de qualquer organização, de que o modo como as pessoas que a representam se vestem faz parte, é uma potente forma de comunicação. Nos gigantes tecnológicos da costa leste americana não se apresentam ao trabalho de t-shirt repescada no chão roupeiro, calças ou calções largos e chinelos esteticamente inqualificáveis só por serem gente pouco dada à beleza formal das coisas. Também é um bradar alto de inconformismo, de espírito rebelde, de inovação, de disrupção face às tecnologias tradicionais. Tudo mais aparente que real (na verdade reproduzem e recriam nas novas fórmulas o mundo que alegadamente querem ultrapassar), mas a mensagem é essa.

O mundo financeiro, hélas, perdeu a aura de conservadorismo e confiança – de que os rígidos fatos e gravatas e, se possível, botões de punho e, sempre, sapatos de atacadores ou fivela eram a transposição sartorial – com a crise de 2008. A irresponsabilidade, a incompetência, a incapacidade de prever as consequências dos produtos financeiros mais alucinados, a tentativa de ganhar dinheiro como se não houvesse amanhã, a inocência negligente na hora de avaliar o risco, a economia mundial em descalabro – bom, quem, depois de tudo isto, acredita em financeiros só porque têm em cima impecáveis fatos risca de giz?

Se há setor a necessitar de uma mudança de visual é o financeiro. Porque, regresso atrás, a forma como quem representa uma organização se veste afeta a imagem da organização.

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