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Diversidade de género como primeiro passo para a diversidade nos conselhos de administração

Autor
  • Celine Abecassis-Moedas
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Os conselhos de administração tendem a ser um “old boys club” no qual todos os membros têm o mesmo perfil. Por isso, por natureza, todos tendem a pensar da mesma forma e a ter os mesmos preconceitos.

Há atualmente em Portugal inúmeros debates sobre quotas para mulheres nos conselhos de administração de empresas cotadas em bolsa. Neste momento, as mulheres apenas representam 14% nos conselhos de administração das empresas cotadas em Portugal, e apenas um terço das empresas cotadas ultrapassam o patamar dos 20%. Tentemos primeiro perceber porque é que é importante ter mulheres nos conselhos de administração e depois olhar para os efeitos das quotas em França (onde foram estabelecidas recentemente).

Porque é que é importante ter mulheres nos conselhos de administração? Na verdade, mais do que a proporção de mulheres, o que realmente importa é ter diversidade. Dado que cada pessoa tem o seu próprio preconceito, quanto mais diversificado for o conjunto de pessoas, tanto menor será o preconceito. Os conselhos de administração tendem a ser um “old boys club” no qual todos os membros têm o mesmo perfil: homem, sénior, maioritariamente da mesma nacionalidade… Por isso, por natureza, os membros tendem a pensar da mesma forma e a ter os mesmos preconceitos. O objetivo da diversidade é trazer diferentes perspetivas. A diversidade é mais do que diversidade de género, também é diversidade de idade, nacionalidade, perfil e competências… Por isso, mais do que uma questão de género, a discussão sobre a composição do conselho de administração deve ser uma questão de diversidade.

O debate sobre quotas para mulheres nos conselhos de administração também ocorreu em França na sequência da lei Copé Zimmerman (de 2011), que exigia 20% de mulheres nos conselhos de administração de empresas cotadas em bolsa até 2014 e 40% até janeiro de 2017. Qual o impacto destas quotas na composição dos conselhos de administração em França?

Em 2015 e 2016, houve muitas nomeações de mulheres em França: 60% das novas nomeações feitas nos últimos dois anos foram de mulheres. Para os conselhos de administração encontrarem mulheres tiveram de procurar fora da rede habitual. Uma primeira consequência interessante foi que, ao nomear mulheres, a média de idades dos membros do conselho baixou significativamente: as mulheres nos conselhos de administração em França são em média 5,5 anos mais novas do que os seus colegas do sexo masculino. Além disso, como as empresas procuram cada vez mais perfis internacionais, foram à procura de mulheres com perfis internacionais. Nas recentes nomeações, há uma maior proporção de mulheres do que de homens com perfis internacionais.

Desde 2017, em França, parece que nomear uma mulher para cumprir as quotas foi na realidade usado como uma oportunidade para acrescentar mulheres e simultaneamente alargar o leque de conhecimento do conselho de administração. Forçou as empresas a irem para além do conjunto tradicional limitado de pessoas.

O exemplo de França mostra que as quotas podem na realidade ser uma oportunidade para trazer perfis mais diversificados para a sala de reuniões do conselho de administração, diversificados não apenas em termos de género mas também em termos de idade, nacionalidade, experiência profissional e formação. Este movimento no sentido de uma maior diversidade nos conselhos de administração é positivo.

Associate Professor na Católica Lisbon School of Business & Economics

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