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Durante meses, a diabolização do Chega ocupou os estúdios e as páginas da comunicação social. Intensificou-se com o acordo das direitas nos Açores (o PS irrita-se quando perde o poder) e cresceu ainda mais com o início da campanha para as eleições presidenciais. Para diabolizar o Chega, Ana Gomes a Marisa Matias confessaram que estariam dispostas a violar a Constituição portuguesa se fossem eleitas para Belém, não dando posse a um Governo apoiado por André Ventura. Pelos vistos, para duas candidatas presidenciais, já nem a Constituição constitui um limite à competição política com o candidato do Chega.

Esqueçam o partido de um único deputado. A estratégia de diabolização tem pouco a ver com o Chega ou com Ventura. A diabolização do Chega serve, em primeiro lugar, para passar uma esponja sobre o papel de António Costa e do PS na formação de alianças com partidos de extrema-esquerda. Com a diabolização da “extrema-direita”, Costa deixa de ser o líder socialista que abriu um precedente perigoso na política portuguesa, abrindo o poder às esquerdas anti-democráticas, para se tornar num PM moderado e sensato. Costa continua a chefiar o Governo graças ao apoio do PCP, mas o radical passaria a ser Rui Rio.

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