Há uns dias, o Presidente dos Estados Unidos disse-se nacionalista. Nacionalista, dizia-se ele, sob aplausos frenéticos da multidão, porque não acredita nisso de por interesses globais à frente de interesses nacionais. Americanos primeiro, claro, que é como quem diz: todos os outros depois.

Eu sou um ingénuo, mas sempre pensei que ser-se de um país é uma casualidade. Tivessem os nossos pais, ou avós, ou bisavós, emigrado anos antes, seríamos de outro sítio – e nem notávamos. Teríamos bebido uma cultura diferente, tido aulas noutra língua, amigos de outras cores, apoiaríamos outro clube e tudo nos saberia ao mesmo e nos seria original.

Ser-se de um país é uma casualidade também porque as fronteiras são, a maioria das vezes, linhas arbitrárias que se desenharam, à espada ou à mesa, a maioria há tanto tempo, e que fazem de uns portugueses, outros marroquinos, de uns americanos, outros mexicanos, mas tivessem as guerras que outros lutaram tido outros fins, e quem sabe dizer o que seríamos, ou se seríamos.

Somos também completamente alheios aos traços com que nascemos. Ninguém escolhe os pais, nem os avós, nem ninguém por aí acima na cadeia genética, a mesma que vai depois determinar o pigmento da pele, a textura do cabelo, a cor dos olhos, a altura, a saúde, e por aí adiante. Patriota? Não: só português. Nasci português como nasci louro e de olhos azuis, escrevia o Mestre Caeiro, observador profissional.

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