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Lembra-se do anúncio de proibição de transmissão de touradas na RTP? A informação chegou pela voz do secretário de Estado Nuno Artur Silva, que explicou em entrevista que o novo contrato de concessão da RTP “não era compatível” com a transmissão de touradas. Lembra-se, também, do debate público que isso gerou nos jornais? E, já agora, lembra-se das reacções, através de cartas abertas, de centenas de figuras públicas? Umas em concordância e apoio explícito à decisão do Governo. Outras em frontal discordância, incluindo figuras históricas do PS e ex-ministros da Cultura. Lembra-se?

Se se lembra, então esqueça. Apertado por todos os lados, o Governo mandou informar que não havia qualquer proibição, que o texto do novo contrato de concessão não impede touradas e que “não há nenhuma tentativa de censura”. O porta-voz da revelação foi Arons de Carvalho, fundador do PS e representante do Governo no Conselho Geral Independente da RTP. E resumiu tudo a “polémica baseada num boato”. Por outras palavras, disse isto: toda a gente que se debruçou sobre o tema percebeu tudo mal. Ou seja, centenas de figuras públicas e políticas (a favor e contra), centenas de jornalistas, milhões de portugueses, todos perceberam mal. Afinal, a explicação para as críticas ao Governo é simples: somos todos estúpidos.

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