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Perante o primeiro confinamento e as dificuldades que se fizeram sentir, vários foram os esforços de adaptação ao digital. Até mesmo quem tem uma atividade puramente digital teve de se adaptar à nova realidade.

Terminado o confinamento, os negócios voltaram a uma normalidade parcial, insatisfatória para muitos. Passaram-se meses. Regressamos ao mesmo. Mas o que significa um novo confinamento para os negócios que ainda não estão no digital? Para muitos, pode significar um fim. Setores como a hotelaria e a restauração revelam quebras acentuadas. Os dados da AHRESP (de Setembro de 2020) revelam que quase 40% dos restaurantes e 16% do alojamento em Portugal estão em risco de falência. Apesar da esperança na vacinação, a incerteza em relação ao fim da pandemia não deixa espaço para a espera de braços cruzados. Este novo confinamento traduz-se numa clara inevitabilidade de aposta no digital, alternativa a fins assumidos.

Se ainda não está convencido com a aposta no digital por pensar que Portugal está atrasado a este nível, atente nestes dados: segundo um estudo do Banco Europeu de Investimento (2020), Portugal está em terceiro lugar no grupo dos países fortes no Índice de Digitalização, logo depois da Eslovénia e da Suécia.  O estudo concluiu ainda que as taxas de adoção digital em Portugal estão acima da média da União Europeia para quase todos os setores (excetuando o da produção) e para os serviços e infraestruturas. Portugal nunca esteve tão lançado no digital.

Mas o que abarca a aposta de um negócio no digital? Infelizmente, a presença no digital parece não bastar por si só. A pandemia fez nascer uma realidade de transformação digital acelerada, na qual a competitividade cresce a cada segundo. Não é suficiente que um restaurante divulgue as suas ementas online ou que um hotel mantenha atualizado o seu website. Estes tempos não exigem apenas uma presença no digital, mas uma presença de qualidade, capaz de acompanhar a constante evolução e competitividade. Para isto, é urgente apostar em formação. É urgente dotar as empresas e os seus colaboradores de competências digitais que possam dar resposta a estes desafios atuais e futuros.

Na verdade, uma das principais missões é precisamente a de aumentar a literacia digital em Portugal, através da formação. Acreditamos que esta área é agora mais importante do que nunca, pelo que devemos continuar a desenvolver novas oportunidades de formação que julguemos úteis. Termino com um apelo a todos: vivemos tempos que precisam de relações humanas, de empatia, de entreajuda. É essencial que tentemos todos, mesmo como cidadãos, ajudar os pequenos negócios a sobreviverem.

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